Fármaco que trata alcoolismo pode ajudar a eliminar o HIV

Estudo publicado na revista “The Lancet HIV”

19 novembro 2015
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Um fármaco utilizado no tratamento do alcoolismo pode ajudar a eliminar o HIV, dá conta um estudo publicado na revista “The Lancet HIV”. 
 
O dissulfiram bloqueia uma enzima denominada por dehidrogenase, que desempenha um papel importante na metabolização do consumo de álcool. Contudo, para além de desencorajar o consumo de bebidas alcoólicas, os investigadores da Universidade de Melbourne, na Austrália, e da Universidade da Califórnia, nos EUA, descobriram que este fármaco pode conduzir à cura de uma das mais sérias e desafiadoras doença do mundo, a Sida.
 
A terapia antirretroviral, que envolve uma combinação de pelo menos três antirretrovirais que abrandam a progressão da doença, é o tratamento primário para o HIV. Apesar de esta terapia conduzir a uma diminuição das taxas de mortalidade por HIV em todo o mundo, não cura de facto a doença. Esta terapia é incapaz de eliminar o HIV completamente. Na verdade, o vírus permanece num estado de dormência dentro das células do hospedeiro, escondendo-se do ataque do sistema imunológico. 
 
Neste estudo, os investigadores constataram que o dissulfiram ajudava a “acordar” o HIV dormente, uma abordagem de “choque e morte” que os investigadores acreditam que é a chave da cura da doença.
 
Até a data, os fármacos que tinham sido testados para “acordar” o HIV latente produziram efeitos colaterais tóxicos, uma grande barreira para seguir com a abordagem “choque e morte”.
 
Para o estudo, os investigadores administraram dissulfiram a 30 pacientes HIV positivos, ao longo de três dias. No primeiro dia os pacientes foram tratados com 500 mg de dissulfiram, no segundo 1000 mg e no terceiro dia com 2000 mg do fármaco.
 
O estudo apurou que a administração de 2000 mg de dissulfiram ativou o HIV dormente, sem provocar nenhuns efeitos secundários. “Apesar de o fármaco ter sido só utilizado ao longo de três dias, verificamos que houve um aumento claro do vírus no plasma, o que é bastante encorajador”, revelou, em comunicado de imprensa, uma das autoras do estudo, Sharon Lewin.
 
"Este é um passo muito importante, pois demonstramos que podemos acordar o vírus com um fármaco seguro que é facilmente administrado por via oral uma vez por dia. Agora necessitamos de tentar perceber como vamos eliminar as células infetadas”, conclui o primeiro autor do estudo, Julian Elliott.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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