Fármaco para osteoporose mostra-se promissor na diabetes

Estudo publicado na revista “Cell Metabolism”

23 junho 2015
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Investigadores americanos constataram que um fármaco habitualmente utilizado no tratamento da osteoporose em humanos, também é capaz de estimular a produção de células envolvida no controlo do equilíbrio da insulina em ratinhos diabéticos, defende um estudo publicado na revista “Cell Metabolism”.
 

Apesar de já existirem outros compostos capazes de ter este efeito, o fármaco em causa (Denosumab) já está aprovado pela Food and Drug Administration, nos EUA, podendo entrar mais rapidamente em ensaios clínicos como tratamento da diabetes.
 

A diabetes é um problema de saúde grave que surge devido a uma deficiência das células beta produtoras de insulina no pâncreas. Na diabetes tipo 1, as células beta morrem devido ao ataque do próprio sistema imunológico. Na diabetes tipo 2, o organismo torna-se resistente à insulina e células beta tentam compensar produzindo mais insulina. Desde modo o principal objetivo no combate à diabetes é encontrar formas de aumentar funcionamento das células beta. No entanto, estas células beta adultas são muito resistentes à divisão e crescimento.
 

Neste estudo os investigadores Escola de Medicina de Icahn, nos EUA, descobriram uma relação entre uma via conhecida associada aos ossos e a proliferação de células beta pancreáticas.
 

“O nosso estudo identificou um travão molecular que inibe tanto a replicação das células beta pancreáticas dos ratinhos como as humanas. Demonstrámos que duas proteínas, incluindo um fármaco já aprovado pela FDA para a osteoporose, podem substituir e libertar este travão para induzir a proliferação de células beta de ratinhos e humanas”, revelou, em comunicado de imprensa, uma das autoras do estudo, Rupangi Vasavada.
 

Estes resultados foram conseguidos através do estudo do efeito de hormonas lactogénicas, produzidas pelas glândulas pituitárias, estimulam a lactação nas fêmeas e são também conhecidas por aumentar a sobrevivência e crescimento das células pancreáticas.
 

Após terem analisado as proteínas que são reguladas por estas hormonas nas células beta, os investigadores identificaram uma proteína associada aos ossos denominada por osteoprotegerina (OPG, sigla em inglês). Os dados já publicados na literatura revelaram que a OPG é expressa em elevados níveis e várias condições, como gravidez e obesidade, que promovem a expansão das células beta. Estes resultados sugerem que a OPG pode estar diretamente envolvida no crescimento das células beta.
 

A OPG liga-se a um par proteína-recetor que afeta vários processos, como a lactação. Os investigadores constataram que este par também inibe a replicação das células beta e que a OPG e o fármaco Denosumab contrariam este efeito e estimulam a proliferação das células beta.
 

"Os resultados sugerem que há potencial no reaproveitamento deste fármaco da osteoporose para o tratamento da diabetes", conclui a investigadora.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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