Fármaco para leucemia eficaz no cancro da mama

Estudo publicado na “Breast Cancer Research”

27 agosto 2013
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Uma equipa de investigadores da Clínica Mayo, nos EUA, descobriu que um fármaco atualmente utilizado no tratamento da leucemia revelou ser igualmente eficaz na detenção da propagação do cancro da mama.

 

Ensaios laboratoriais em ratinhos com cancro da mama demonstraram que a decitabina foi eficaz na redução do tumor primário da mama, tendo também diminuído as metástases que se encontravam nos pulmões dos roedores. Os ratinhos tratados com decitabina quase não apresentavam metástases, e as poucas encontradas eram 40 vezes menores do que as de animais não tratados com o fármaco.

 

A decitabina atua num gene que codifica a proteína quinase D1 (PRKD1). A PRKD1 está normalmente ativada mas em caso de cancro da mama invasivo, umas moléculas denominadas grupos metilo, ligam-se ao ADN junto do gene, inativando-o. A decitabina evita que esses grupos metilo se unam ao ADN. O tratamento com o fármaco fez reduzir os níveis de metilação à volta da PRKD1. Consequentemente, esta foi ativada e reiniciou a expressão de proteína.

 

Peter Storz, bioquímico e biólogo molecular na Clínica Mayo explica que “o tratamento com doses baixas de decitabina num modelo animal de cancro da mama restaurou a expressão da PRKD1, reduziu o tamanho do tumor e bloqueou as metástases no pulmão”. “Esperamos que este estudo ofereça uma nova forma de prevenir que o cancro da mama se torne agressivo e intratável", acrescenta o investigador.

 

Foram também investigados os níveis de metilação em tecidos humanos com cancro da mama, invasivo a vários graus. Os investigadores determinaram que os níveis de metilação estavam correlacionados com o potencial do cancro para se disseminar. Esta descoberta poderá ajudar a determinar o potencial de um cancro se espalhar.

 

A decitabina age através da epigenética, influenciando a estrutura e a forma do ADN, atuando sobre a expressão genética sem alterar a própria sequência do ADN. Para além das alterações genéticas, as diferenças epigenéticas desempenham um papel importante em diferentes tipos de tumor, incluindo os do cancro cervical e da próstata. O fármaco é atualmente utilizado no tratamento da leucemia.

 

Segundo os autores, o fármaco decitabina, ou outros fármacos que funcionam de forma semelhante, poderiam ser utilizados para ajudar no controlo do cancro da mama. No entanto são necessários estudos em seres humanos.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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