Fármaco para gota pode beneficiar doentes renais

Estudo publicado no “Clinical Journal of the American Society of Nephrology”

14 junho 2010
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O alopurinol, um fármaco utilizado no tratamento da gota poderá ajudar os pacientes que sofrem de doença renal crónica. O estudo publicado no “Clinical Journal of the American Society of Nephrology” foi o primeiro a demonstrar que o tratamento com este fármaco diminui a inflamação, retarda a progressão da doença e reduz o risco de evento cardiovascular ou hospitalização.

 

O alopurinol é um fármaco utilizado no tratamento de indivíduos que têm excesso de ácido úrico no sangue, ou hiperuricemia, condição esta que pode conduzir à gota e, em casos extremos, à falência renal. Por outro lado, níveis elevados de ácido úrico no sangue podem também aumentar o risco de desenvolvimento de hipertensão ou de doença cardiovascular. Os pacientes que sofrem de doença renal crónica, que na maioria das vezes morrem de doença cardiovascular, têm com frequência hiperuricemia devido à diminuição da excreção de ácido úrico pela urina.

 

Para este estudo, os investigadores do Hospital General Universitario Gregorio Marañón, em Madrid, Espanha, contaram com a participação de 113 pacientes que sofriam de doença renal crónica, os quais receberam 100 mg/dia de alopurinol ou que continuaram a fazer o tratamento habitual.

 

O estudo revelou que houve uma diminuição significativa dos níveis de ácido úrico no sangue e de proteína C reactiva, um marcador de inflamação, nos indivíduos que foram tratados com alopurinol. No grupo de controlo, a função renal diminuiu ao fim de dois anos, enquanto no grupo tratado com o alopurinol houve uma melhoria da função renal.

 

Os investigadores constataram que o tratamento com o fármaco contribui para a diminuição de: progressão da doença, independente da idade, sexo e de o paciente sofrer ou não de diabetes; níveis de ácido úrico e proteína C reactiva; quantidade de proteína que os pacientes perdiam através da urina; outros tipos de medicação utilizada pelos pacientes.

 

Adicionalmente, em comparação com a terapia habitual, o tratamento com alopurinol reduziu em 71% o risco de eventos cardiovasculares e em 62% os risco de hospitalização.

 

Contudo, a equipa de investigação liderada por Marian Goicoechea salienta que estes resultados necessitam ainda de ser confirmados por um estudo de larga escala.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A

 

 

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