Fármaco para epilepsia aumenta risco de autismo

Estudo publicado no “Journal of Neurology, Neurosurgery and Psychiatry”

05 fevereiro 2013
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As crianças cujas mães tomaram o fármaco antiepilético valproato de sódio durante a gravidez apresentam um maior risco de desenvolver autismo e outras doenças do neurodesenvolvimento, dá conta um estudo publicado no “Journal of Neurology, Neurosurgery and Psychiatry”.
 

Neste estudo os investigadores contaram com a participação de 528 crianças cujas mães tinham estado grávidas entre 2000 e 2004. Metade destas mulheres eram epiléticas e apenas 34% destas não tinham tomado fármacos antiepiléticos durante a gravidez. Os investigadores averiguaram que 59 das mulheres tinham tomado carbamazepina, 59 valproato, 36 lamotrigine, 41 uma combinação de fármacos e 15 tomou outros medicamentos.
 

Aos 12 meses, três e seis anos de idade, o desenvolvimento físico e intelectual das crianças foi avaliado. As mães também foram também questionadas sobre a necessidade de recorrer a algum tipo de aconselhamento profissional tendo em vista o desenvolvimento, comportamento, saúde e progresso educacional da criança. Durante o estudo, 415 crianças completaram as três avaliações, 19 destas foram diagnosticadas com doenças do neurodesenvolvimento. Doze destas crianças tinham autismo, uma tinha também distúrbio de atividade e deficit de atenção e três tinham apenas este distúrbio. Quatro das crianças sofriam de dispraxia, uma condição que causa uma má coordenação física
 

O estudo apurou que os problemas de neurodesenvolvimento eram mais frequentes entre as crianças cujas mães tinham epilepsia, comparativamente com aquelas que não sofriam desta condição. Foi também verificado que, em comparação com as crianças que não tinham sido expostas ao valproato no útero da mãe, as que tinham sido expostas apresentavam um risco seis vezes maior de desenvolver problemas do neurodesenvolvimento. As crianças expostas ao valproato e a outros fármacos tinham um risco 10 vezes maior de ter este tipo de problemas, comparativamente com aquelas cujas mães não tinham epilepsia.
 

As mulheres com epilepsia que não tinham sido tratadas durante a gravidez não tinham filhos com problemas de neurodesenvolvimento. Por outro lado, foi também observado que os rapazes tinham um risco três vezes maior de serem diagnosticados com este tipo de doenças.
 

Apesar de serem necessários mais estudos, estes resultados vão de encontro aos estudos que já tinham demonstrado que o valproato poderia ter efeitos negativos no desenvolvimento do feto.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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