Fármaco para a tuberculose torna ratinhos “autistas” mais sociáveis

Estudo da Eastern Virginia Medical School

23 dezembro 2010
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Um fármaco destinado ao tratamento da tuberculose produziu efeitos surpreendentes ao tornar ratinhos anti-sociais em animais mais interactivos, facto que, segundo os cientistas da Eastern Virginia Medical School, EUA, é promissor para o tratamento dos distúrbios do espectro do autismo. 

 

“As pessoas com o distúrbio do espectro do autismo são desinteressadas em relação às interacções sociais ou consideram-nas desagradáveis”, explicou, em comunicado de imprensa, Stephen Deutsch, professor de psiquiatria e ciências do comportamento e membro da equipa de investigadores, acrescentando que “infelizmente, as pessoas com este distúrbio são, muitas vezes, sofredoras conscientes de sua sociabilidade limitada, o que pode levar a profundos sentimentos de tristeza e frustração”.

 

Para o estudo, os investigadores verificam que uma estirpe de ratinhos, modelo válido de sociabilidade limitada – semelhante ao de pessoas com autismo –, colocava-se o mais longe possível dos outros roedores, não interagindo como faziam os animais do grupo de controlo.

 

Mas, ao testarem um grupo de fármacos destinado ao tratamento da tuberculose, a D-cicloserina, verificaram que o mesmo conseguia alterar a função de determinados receptores no cérebro que afectam a sociabilidade, tornando os ratinhos com o distúrbio mais próximos dos outros roedores.

 

Segundo a equipa de investigadores, este tratamento poderá, no futuro, vir a ser usado para facilitar a sociabilidade comprometida das pessoas com autismo, ao aumentar o contacto visual e a interacção pessoal. “O que torna estes dados tão importantes é que pode haver alguém com um QI de 125 ou 130 que está desempregado por causa de suas deficiências sociais”, ressalta Maria Urbano, também uma professora associada de psiquiatria e ciências do comportamento e membro da equipa de investigação.

 

Deste modo, a mesma equipa planeia agora um ensaio clínico piloto com pacientes adultos, adolescentes e crianças com distúrbios do espectro do autismo para avaliar se o medicamento, que já é conhecido por ser seguro para uso em humanos, tem efeitos semelhantes sobre os deficits de sociabilidade como os registados no estudo com animais.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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