Fármaco para a osteoporose associado a maior risco de cancro esofágico

Estudo publicado no “British Medical Journal”

08 setembro 2010
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O consumo prolongado de bifosfonatos, grupo farmacológico habitualmente usado para tratar a osteoporose, pode duplicar o risco de desenvolver cancro do esófago, aponta um estudo publicado no “British Medical Journal”.

 

Os bifosfonatos são inibidores da reabsorção óssea usados no tratamento da osteoporose, em especial nas mulheres pós-menopáusicas. Contudo, um estudo recente, realizado por investigadores da Queen's University de Belfast, Irlanda, e publicado no “Journal of the American Medical Association” (JAMA), negou a existência de uma relação entre o consumo dos fármacos e o risco de desenvolver cancro.

 

Investigadores da University of Oxford, no Reino Unido, detectaram, no entanto, um maior risco de cancro do esófago em mulheres sob medicação de bifosfonatos, mas advertem os pacientes a não deixar de tomar o fármaco sem consultar um especialista. "Dado o cancro do esófago ser pouco comum, mesmo com o dobro do risco, a probabilidade deste aparecer continua baixa", reconhece a autora Jane Green, em comunicado enviado à imprensa.

 

Para o estudo, a equipa analisou dados de homens e mulheres com mais de 40 anos diagnosticados com cancro do esófago, do estômago ou do cólon entre 1995 e 2005.

 

Da análise das prescrições médicas, os cientistas verificaram que as pessoas que tinham sido medicadas mais de 10 vezes com estes medicamentos, ou por um período superior a cinco anos, tinham quase o dobro do risco de desenvolver cancro esofágico do que as pessoas que não tinham efectuado tratamento com estes fármacos.

 

Do mesmo modo, as pessoas a quem foram prescritos bifosfonatos orais uma ou mais vezes apresentaram um risco de desenvolver cancro do esófago 30% superior do que as que nunca tomaram esta medicação.

 

No decorrer do estudo, não foi encontrada qualquer ligação entre a prescrição de bifosfonatos e o cancro do estômago ou da bexiga.

 

Num comentário adicional ao estudo, Diane Wysowski, do FDA (agência que regula o comércio dos medicamentos e dos alimentos nos EUA), assegura que estes potenciais efeitos adversos "deverão levar os médicos a avaliar a relação risco/benefício antes de os prescreverem".

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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