Fármaco existente pode ganhar a luta contra o cancro da mama

Estudo publicado na revista “PNAS”

22 dezembro 2017
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Um novo estudo demonstrou que as células cancerígenas do cancro da mama triplo negativo são altamente vulneráveis ao fármaco interferão beta.
 
O fármaco interferão beta é um potente antimicrobiano que também ativa o sistema imunitário. O estudo conduzido por investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade Case Western Reserve, EUA, descobriu que o fármaco prejudica a capacidade das células do cancro da mama de migrarem e formarem novos tumores.
 
“Demonstramos que o interferão beta reverte algumas das características mais agressivas do cancro da mama triplo negativo, que são responsáveis pelas metástases e pelos tratamentos falharem”, avançou Mary Doherty, primeira autora do estudo.
 
“Adicionalmente, encontrámos evidência que o interferão beta nos tumores de cancro da mama triplo negativo está correlacionado com uma maior sobrevivência dos pacientes após a quimioterapia”, acrescentou. 
 
O cancro da mama triplo negativo é uma das formas de cancro da mama mais agressivas e fatais. Espalha-se rapidamente e resiste a muitas quimioterapias. 
 
O problema é que apesar de a quimioterapia exterminar a maioria das células cancerígenas, não consegue eliminar as células estaminais cancerígenas. Pensa-se que a sobrevivência destas células é responsável pela falha dos tratamentos.  
 
O novo estudo demonstrou que o interferão beta atua sobre as células estaminais cancerígenas. A equipa tratou em laboratório células de cancro da mama triplo negativo com interferão beta e observou que o fármaco evitou que as células migrassem.
 
Foi também verificado que as células tratadas com interferão beta não tinham os marcadores característicos dos tumores na fase inicial e não se conseguiam agregar de forma a ficarem como um tumor.
 
Estes achados foram validados através de uma base de dados com tecido do cancro da mama. Os investigadores descobriram efetivamente que os níveis elevados de interferão beta em tecido mamário estavam correlacionados com uma maior sobrevivência do paciente e uma menor recidiva (cerca de 25% menos) do cancro em relação aos que apresentavam níveis reduzidos.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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