Fármaco de quimioterapia pode provocar metástases

Estudo publicado na revista “Proceedings of the National Academy of Sciences”

10 agosto 2017
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Uma equipa de investigadores descobriu que um fármaco usado na quimioterapia pode ajudar o cancro da mama a espalhar-se para os pulmões.
 
Num estudo conduzido por investigadores liderados por Tsonwin Hai, docente na Universidade do Estado de Ohio, EUA, foi revelado que o fármaco paclitaxel que é muito usado em tratamentos quimioterápicos em vários tipos de cancro, como o da mama, pulmão e ovários, pode também promover o desenvolvimento de metástases.
 
Para o estudo, a equipa usou um modelo animal, ratinhos, e analisou dados de pacientes com cancro da mama para identificar a forma como o paclitaxel permite que a doença se espalhe, o que é um paradoxo, considerando que o fármaco combate as células cancerígenas.
 
Os dados de pacientes com cancro da mama incluíam doentes que tinham recebido quimioterapia. 
 
Os investigadores apuraram que naquele grupo de pacientes o gene Atf3, um fator de transcrição ativado pelo stress e envolvido no mecanismo do stress celular, que se encontra numa variedade de células cancerígenas, era expressado em excesso em relação aos que não tinham recebido quimioterapia.
 
Este achado sugere assim que o paclitaxel poderá exercer um efeito carcinogénico através da ativação do gene Atf3. 
 
“Este gene parece fazer duas coisas ao mesmo tempo: essencialmente ajuda a distribuir as sementes (células cancerígenas) e a fertilizar a ‘terra’ (o pulmão)”, explicou Tsonwin Hai.
 
O paclitaxel parece, assim, desencadear uma reação molecular em cadeia, resultando na criação de um ambiente propício à propagação das células cancerígenas nos pulmões. 
 
Este achado reforça os resultados já obtidos noutros estudos. No entanto, ainda não se descobriu os mecanismos moleculares subjacentes a este efeito.
 
A autora principal do estudo especula que este efeito será um processo ativo no qual as células cancerígenas são encorajadas a passarem para o sangue, em vez de ser um processo passivo, no qual as células passam para o sangue devido a vasos sanguíneos permeáveis. 
 
Portanto, a investigadora recomenda uma mente aberta em relação a este achado, com a noção que a quimioterapia ajuda a combater o cancro, mas também poderá fazer aumentar a possibilidade de a doença se espalhar. 
 
Os investigadores estão otimistas que este estudo irá ajudar na investigação de formas de combater os efeitos indesejáveis do fármaco, mantendo as suas propriedades anticancerígenas. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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