Fármaco da família da cafeína eficaz na doença de Alzheimer

Estudo publicado na revista "Molecular Psychiatry"

16 dezembro 2014
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Um grupo de cientistas, que incluiu portugueses, demonstrou que um fármaco da família da cafeína é eficaz no tratamento de lesões cerebrais provocadas pela doença de Alzheimer.
 

Segundo a agência Lusa, o estudo foi desenvolvido em conjunto por várias universidades europeias: o Institut National de la Santé et de la Recherche Médicale, em França, o IMM, da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, e a Universidade de Bonn, na Alemanha.
 

Os investigadores usaram um novo fármaco da família da cafeína, o MSX-3, que conseguiu combater a acumulação de uma proteína responsável pela morte das células nervosas cerebrais, que é uma das principais causas do declínio cognitivo característico da doença.
 

"Dando este fármaco aos animais num período de tempo de um a dois meses, não verificamos reversão total das características, mas conseguimos uma melhoria significativa no desempenho, nas tarefas de memória, portanto o aumento da memória, conseguimos diminuir os sinais de inflamação no cérebro e também mostrar a diminuição, ou uma melhoria significativa, na acumulação de proteínas anormais", explicou Luísa Lopes, neurocientista do Instituto de Medicina Molecular (IMM), à agência Lusa.
 

O fármaco foi administrado em animais com lesões cerebrais pois "era esse o objetivo, testar o fármaco numa situação 'in vivo' [em animais] e conseguir mostrar que era benéfico numa situação já de lesão mais avançada".
 

O principal avanço oferecido por este estudo foi a perceção que, num modelo já com progressão da doença, "um fármaco desse tipo atua", referiu a cientista, recordando que estudos anteriores já tinham concluído que a cafeína é benéfica em algumas situações deste tipo. No entanto, este fármaco "tem uma natureza mais focada, com menos efeitos secundários", realçou.
 

Luísa Lopes referiu três características principais observadas na doença humana que são neuroinflamação, défices de memória, desempenhos alterados ou reduzidos, e uma acumulação anormal de proteínas. E os cientistas queriam perceber em qual delas o fármaco poderia ter uma ação positiva.
 

O próximo passo do trabalho destes cientistas é utilizar este conhecimento para testar a atuação do fármaco no défice cognitivo. "Já há fármacos desta família testados em ensaios clínicos, [mas] nunca foram testados para défice cognitivo", concluiu Luísa Lopes.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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