Fármaco contra leucemia melhora sintomas de doença de Parkinson

Estudo da Universidade de Georgetown

22 outubro 2015
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Um fármaco para a leucemia melhorou a cognição, as capacidades motoras e a função não motora de pacientes com doença de Parkinson e demência de corpos de Lewy num pequeno ensaio clínico de fase I, dá conta um estudo apresentado na reunião anual da Sociedade de Neurociência. 
 
“Este estudo mostra pela, primeira vez, que uma terapia parece reverter, num grau maior ou menor, dependendo do estadio da doença, o declínio cognitivo e motor em pacientes com doenças neurodegenerativas. Contudo, é importante realizar estudos de maiores dimensões e mais completos antes de determinar o real impacto do fármaco”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Fernando Pagan.
 
Os investigadores da Universidade de Georgetown, nos EUA, concluíram que, após seis meses de estudo, a administração diária do fármaco nilotinib, em doses que variaram entre os 150 e os 300 mg, foi benéfica em 11 dos 12 pacientes que participaram no ensaio. Dez pacientes revelaram ter melhorias significativas.
 
Os pacientes também apresentaram alterações positivas em biomarcadores da doença de Parkinson no líquido cefalorraquidiano, como a alfa-sinucleína(a-sinucleína), a beta amiloide -40/42 (Abeta-40/42) e a dopamima, com alterações estatisticamente significativas nas proteínas Tau total e p-Tau. Estudos anteriores demonstraram que a-sinucleína e Abeta 40/42 no CSF diminuem à medida que a doença de Parkinson se agrava, enquanto a Tau e p-Tau aumentam com o aparecimento de demência.
 
"As alterações na Tau, p-Tau, a-sinucleína e Abeta-40 e 42 no líquido cefalorraquidiano sugerem que houve uma eliminação das proteínas tóxicas no cérebro", explica o investigador.
 
Contudo, os investigadores chamam a atenção para o facto de os resultados deverem ser interpretados com alguma cautela, uma vez que não houve grupo de controlo.
 
Ainda assim os investigadores referem que o principal objetivo do estudo foi testar a segurança do fármaco. A toma de nilotinib, em doses bem mais pequenas do que aquelas utilizadas no tratamento do cancro, foi bem tolerada sem quaisquer efeitos secundários graves.
 
Adicionalmente, verificou-se que o fármaco penetrava na barreira sangue-cérebro em quantidades maiores do que os fármacos dopaminérgicos.
 
Contudo, a eficácia observada na cognição, na coordenação motora e na melhoria da função não-motora, como prisão de ventre, foi para muitos pacientes o resultado mais impressionante. Um dos pacientes que estava confinado a uma cadeira de rodas foi capaz de andar novamente, três indivíduos que não conseguiam falar foram capazes de manter conversas.
 
"Os participantes no estadio inicial da doença responderam melhor, assim como aqueles diagnosticados com demência de Lewy, muitas vezes descrita como uma combinação da doença de Parkinson e Alzheimer", conclui Fernando Pagan.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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