Fármaco conduz à autodestruição das células cancerígenas

Estudo publicado na revista “Proceedings of the National Academy of Sciences”

12 maio 2016
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Investigadores americanos desenvolveram um potencial fármaco capaz de diminuir o crescimento de células tumorais no modelo animal de um dos cancros mais difíceis de tratar, o cancro da mama triplo negativo, dá conta um estudo publicado na revista “Proceedings of the National Academy of Sciences”.
 

“O estudo representa um avanço claro na medicina de precisão, uma vez que esta molécula apenas mata as células cancerígenas que expressam o gene que causa o cancro e não as células saudáveis”, revelou, em comunicado de imprensa, o primeiro autor do estudo, Matthew Disney.
 

No estudo, os investigadores do The Scripps Research Institute, nos EUA, demonstraram que o composto targaprimir-96 faz com que as células cancerígenas da mama se autodestruam através de um processo conhecido por morte celular programada, tendo por alvo um ARN específico que inicia o cancro.
 

Para o estudo, os investigadores utilizaram uma abordagem computacional, denominada Inforna, que se foca no desenvolvimento de compostos que se ligam ao microARN. Este tipo de ARN é constituído por pequenas moléculas que estão presentes em todos as células dos animais e plantas e que funcionam tipicamente como interruptores de um ou mais genes e impedem a produção de proteínas.   
 

Alguns microARN têm sido associados a doenças. O microRNA-96, que foi alvo deste estudo, promove o cancro ao impedir a morte celular programada, um processo que pode eliminar as células do organismo que crescem de forma descontrolada.
 

Os investigadores testaram o candidato a fármaco em modelos animais ao longo de 21 dias de tratamento. Verificou-se que o targaprimir-96 diminuiu a produção do microRNA-96 e aumentou a morte celular programada, reduzindo significativamente o crescimento tumoral. Uma vez que o composto é altamente seletivo em relação a células cancerígenas, as células saudáveis não foram afetadas.
 

Matthew Disney refere que, normalmente, as terapias anticancerígenas matam as células indiscriminadamente, conduzindo frequentemente a efeitos secundários que dificultam a tolerância ao tratamento.
 

“Esperamos, no futuro, aplicar esta estratégia a outras doenças associadas ao ARN, que incluem desde cancros incuráveis a agentes patogénicos importantes, como o vírus Zika e Ébola”, conclui o investigador.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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