Farmácias poderão ficar sem medicamentos a partir de novembro

ANF adia transferência de verbas de comparticipações

23 outubro 2012
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A Associação Nacional de Farmácias (ANF) informou os seus associados que vai adiar a transferência de verbas relacionadas com a comparticipação de medicamentos assumida pelo Estado. Esta decisão poderá deixar várias farmácias sem medicamentos já partir do próximo mês.
 

Ao dia 20 de cada mês, a ANF antecipa o montante que cada farmácia teria a receber do Estado (que paga à ANF a 90 dias) em comparticipações de medicamentos. Em contrapartida, a ANF recebe 1,5% da faturação dos seus associados. Apesar de a ANF ter cumprido este prazo em outubro, esta associação irá alargar o prazo para 40 dias já a partir do próximo mês, o que implicará a chegada do crédito às farmácias apenas a 10 de dezembro. Contudo, os grossistas de medicamentos exigem que as farmácias façam os pagamentos a 30 dias, o mesmo que as farmacêuticas exigem aos grossistas.
 

O objetivo da ANF é pressionar os grossistas e a indústria farmacêutica a alargarem os prazos de recebimento para 90 dias, o mesmo que é concedido ao Estado.
 

Contudo, a Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (Apifarma) considera que esta estratégia da ANF poderá não ter condições para vingar, uma vez que a Lei da Concorrência não permite que os prazos de pagamento entre os agentes económicos sejam consertados.
 

Em declarações ao JN, um farmacêutico do Porto considera que “se a indústria ceder é uma manobra de génio. Se não ceder, não conseguiremos pagar a horas o que vai provocar o colapso das farmácias.”
 

A posição da ANF vem no seguimento do luto decretado no setor por aquilo que o presidente desta associação, João Cordeiro, classifica como “medidas arbitrárias sem avaliação prévia ou posterior” e que levaram a que a margem atual das farmácias não cubra os custos fixos, de acordo com informações da própria ANF. Segundo número avançados por esta associação, existem atualmente cerca de 1.300 farmácias com fornecimentos suspensos e 600 encontram-se mesmo em risco de fechar.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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