Faltou avaliação precoce dos impactos da crise na saúde

Conclusões da OMS e de observatório europeu

17 março 2015
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Um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Observatório Europeu sobre Sistemas e Políticas de Saúde critica a falta de avaliação precoce do impacto da crise no setor da saúde e defende a necessidade de uma abordagem “transparente”, refere uma notícia divulgada pela agência Lusa.


O estudo intitulado “O impacto da crise financeira no sistema de saúde e na saúde em Portugal”, ao qual a agência Lusa teve acesso no âmbito da apresentação pública deste na sede da Secção Regional da Ordem dos Médicos, em Coimbra, considera que as medidas do programa de ajustamento se centraram na redução de custos, racionalização do uso de recursos no setor e aumento de receitas, sem considerar “os potenciais efeitos da austeridade na saúde”.


"Com melhor monitorização, os decisores políticos poderiam ter desenhado medidas adequadas para minimizar efeitos negativos na saúde", pode ler-se no estudo, segundo a Lusa. O documento sublinha ainda a necessidade de se adotar uma abordagem "transparente" que permita uma avaliação baseada em factos do "verdadeiro impacto da crise na saúde".


Para a OMS, é necessário colocar a saúde de forma visível "na agenda política", através de uma "abordagem compreensiva" e observando de forma explícita os efeitos das políticas financeiras, económicas e sociais neste setor.


A monitorização dos sistemas "para garantir que resultados adversos na saúde não ocorram" "parece" que não foi tida em conta, aponta o estudo, realçando ainda que "não foram adotadas" estratégias locais de saúde "intersetoriais" para responder à deterioração de determinantes sociais de saúde.


Para os investigadores que desenvolveram o estudo, foi "difícil" identificar efeitos dos cortes no orçamento, das reduções salariais ou das alterações das condições de trabalho, por falta de dados.


Apesar de evidências "bem documentadas" do impacto da crise na saúde mental e no comportamento de procura de cuidados de saúde, no presente, "não é possível identificar contributos relativos do empobrecimento, aumento de taxas a utentes, dificuldades no transporte e riscos do desemprego".


Constantino Sakellarides, um dos autores do estudo, em declarações à agência Lusa refere que "o modelo de ajustamento tinha que ter sucesso" e, portanto, não poderia haver "qualquer alusão" a impactos negativos na saúde, pois esses efeitos seriam uma forma de mostrar que o programa não resulta.


O estudo agora apresentado publicamente em Coimbra foi realizado em 2013 e publicado em 2014.


ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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