Faltam meios para diagnosticar Creutzfeldt-Jacob em Portugal

Director-geral admite falhas

31 janeiro 2003
  |  Partilhar:

O Alto Comissário para a Saúde e director Geral da Saúde, José Pereira Miguel, admitiu na quinta-feira que Portugal não tem a «capacidade desejável» para diagnosticar a variante humana da doenças das vacas loucas.
 

 

O responsável considera que a disponibilização de meios para lidar com o problema não é prioritária, argumentando que «(o sector da) Saúde tem muitas frentes de combate», mas referiu que as autoridades «não desvalorizam» a matéria.
 

 

As palavras de José Pereira Miguel foram feitas na quinta-feira à televisão SIC Notícias. O responsável reagia à demissão do neurologista Cortez Pimentel, que anunciou na quarta-feira a sua saída da função de coordenador do programa de vigilância da variante humana da BSE (Creutzfeldt-Jacob), por considerar que as autoridades de saúde estão a inviabilizar o diagnóstico da doença em Portugal. O Alto Comissário da Saúde reconhece que Portugal «devia ter salas de autópsias e laboratórios de anatomia patológica melhor equipados», adiantando que seria importante ter «pelo menos três bons laboratórios no país: em Lisboa, Porto e Coimbra».
 

 

A falta de meios em Portugal para detectar este problema já é do conhecimento da Comissão Europeia, que está agora a analisar o caso.
 

 

OMS alerta para BSE
 

 

A Encefalopatia Espongiforme Bovina (BSE), mais conhecida como a doença das «vacas loucas», ainda representa uma ameaça para a Europa e para algumas regiões asiáticas. O alerta foi lançado esta sexta-feira pela Organização Mundial de Saúde (OMS), embora reconheça que a maioria dos países desenvolvidos já tenha adoptado medidas adequadas para combater a doença. Segundo a OMS, vários países permanecem alheios aos riscos da doença vinculada a cerca de 130 mortes humanas.
 

 

«A nossa preocupação é de que haja países cujo gado está contaminado com BSE, e nada estejam a fazer para conter a doença», declarou Maura Ricketts, do departamento da OMS encarregado dos riscos para a saúde pública relacionados com alimentos e animais.
 

 

Segundo Ricketts, carne e ração animal contaminadas foram exportadas para uma série de países onde, até então, só haviam sido detectados poucos ou nenhum caso da doença.
 

«Países da Europa Central e Oriental, em geral, são grandes importadores deste produto», precisou a especialista. «A Eslováquia, Eslovénia e República Checa relataram casos, mas outros países necessitam de proceder ao mesmo tipo de acompanhamento».
 

 

O sudeste da Ásia, assim como partes do norte da África, são outras regiões que importaram quantidades expressivas de ração contaminada da Europa Ocidental, segundo a OMS.
 

 

Fonte:Diário Digital
 

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.