Faltam meios para a prevenção do cancro da mama

Há 4 mil novos casos por ano

20 novembro 2002
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Grande número de ecografias mamárias continuam a ser realizadas em locais que não oferecem a segurança e a qualidade necessárias. O Sul e o Norte do país apresentam importantes carências no âmbito do rastreio do cancro da mama. E quem precisa de cirurgia poderá ter de ficar em listas de espera de três e quatro meses em várias instituições hospitalares.
 

 

É neste contexto que vai ser apresentada, amanhã, em Lisboa, a Associação+Vida, uma associação cívica para a prevenção do cancro da mama. A ideia foi apoiada pela Sociedade Portuguesa de Senologia, especialidade que se dedica ao estudo das doenças da mama. O seu presidente, o cirurgião Vítor Veloso, médico do Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto, explica que esta nova associação pretende ser o "braço civil" daquela sociedade científica, ao tentar transmitir à comunidade ideias essenciais sobre educação para a saúde, no que respeita ao cancro da mama. "Esta associação tenciona trabalhar, sobretudo, no campo da prevenção e do diagnóstico precoce", esclarece Vítor Veloso. "Entre 80 e 90 por cento dos cancros da mama são curáveis quando detectados num estado precoce", nota o médico.
 

 

Mas esta associação procurará também desempenhar "um papel importante no campo do esclarecimento dos doentes acerca dos seus direitos", estando, inclusive, em vista a criação de uma consultadoria jurídica para os doentes, acrescenta. "Os doentes com patologia mamária, e nomeadamente os de cancro da mama, terão de ter cada vez mais um papel activo em relação à sua situação", diz Vítor Veloso.
 

 

O cancro da mama é a principal causa de morte, em Portugal, de mulheres com mais de 45 anos. Por ano, surgem cerca de quatro mil novos casos de cancro mamário. Todos os dias, morrem cinco mulheres com esta doença, segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística. A prevenção torna-se, por isso, fundamental. Muitas vezes faltam, contudo, as condições para que esta se realize nas melhores condições. "Só há rastreio no Centro do país. No Sul e no Norte há apenas «ilhas» de rastreio", diz Vítor Veloso, notando que a única organização que organiza os rastreios é a Liga Portuguesa Contra o Cancro. "É preciso vontade política, é preciso gastar dinheiro", defende, salientando que a prevenção acaba por ser a melhor forma de poupar dinheiro. "Mesmo que se trate de cancro precoce, o caso de cada mulher obriga a que se gaste entre dois e três mil contos por ano", recorda.
 

 

Fonte: Público
 

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