Falta de tempo e a desumanização dos cuidados de saúde

Alerta do bastonário da Ordem dos Médicos

14 julho 2016
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A falta de tempo que os médicos têm para dedicar aos doentes está a levar à desumanização dos cuidados de saúde, alerta o bastonário da Ordem dos Médicos, José Manuel Silva.
 

"É preciso que o doente se sinta respeitado pelo médico, que este o esteja a ouvir e não a olhar para o relógio", disse José Manuel Silva na conferência "A relação médico-doente, Património da Humanidade", que ocorreu em Coimbra.
 

Segundo a notícia avançada pela agência Lusa, o tempo, para o bastonário, é fundamental para que se crie uma relação empática entre médico e doente, alertando que, sem empatia, o utente "não segue os conselhos".
 

Com o tempo a ser o eixo da relação médico-doente, seria necessário estimular "os médicos a passarem mais tempo com os doentes", promovendo também estas relações empáticas nas próprias "escolas médicas".
 

A disponibilidade assume um papel crucial nesta relação, ameaçada pela "McDonaldização da medicina", sendo que os médicos estão transformados em "vendedores de [produtos] de McDonald's", que "têm de responder rapidamente e produtivamente à necessidade dos consumidores", referiu.
 

"Temos de combater essa despersonalização", defendeu, considerando que a perspetiva "mercantil interpõe-se na relação médico-doente".
 

De acordo com o bastonário, o financiamento do Serviço Nacional de Saúde, de momento, "é insuficiente", sendo necessário não "perder a perspetiva pública da saúde" e "colocar o doente no centro do sistema. Só conseguimos bons resultados com tempo e a sociedade não está a dar tempo, porque o tempo tem custos".
 

Face a esta situação, há uma sensação de impotência nos médicos, com a falta de tempo a revelar-se como "um dos fatores de desgaste e exaustão". Se não houver profissionais de saúde saudáveis, a sociedade também não o será.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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