Falta de sono pode aumentar risco de problemas emocionais em crianças

Estudo da Universidade de Houston

05 agosto 2016
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Crianças com poucas horas de sono ou com sono interrompido correm maior risco de desenvolver problemas relacionados com depressão ou ansiedade mais tarde na vida, revela um estudo levado a cabo pela Universidade de Houston, nos EUA.
 
Normalmente a falta de sono está associada a má-disposição, rabugice e falta de paciência. Contudo, estes poderão não ser os únicos efeitos de poucas horas de sono. 
 
O estudo da Universidade de Houston procurou perceber de que forma sono inadequado produzia maiores riscos de problemas emocionais em crianças, mais tarde na vida.
 
“Estamos particularmente interessados em perceber de que forma a criança avalia, expressa, regula e mais tarde relembra experiências emocionais quando o sono é adequado e inadequado”, afirma Candice Alfano, psicóloga e autora principal deste estudo. “Centrámo-nos na infância, porque tal como problemas com ansiedade e depressão, os hábitos e padrões de sono desenvolvem-se desde tenra idade e podem ser duradouros”, adianta, em declarações reproduzidas em comunicado da instituição americana.
 
A investigação que se encontra a ser levada a cabo por Alfano e colegas consiste na restrição do sono de 50 crianças pré-adolescentes com idades compreendidas entre os 7 e 11 anos de idade. Os cientistas pretendem, dessa forma, identificar diferentes processos emocionais que, quando desestabilizados devido a falta de sono, tornam as crianças vulneráveis a desenvolver problemas associados a ansiedade e depressão. 
 
Os achados revelam que a falta de sono afeta a saúde emocional da criança, criando, não só, mais emoções negativas, como ainda alterando emoções positivas. Como exemplo, os cientistas revelam que em apenas duas noites mal dormidas as crianças retiravam menos prazer de experiências positivas, apresentavam-se menos reativas e menos capazes de se lembrarem de detalhes acerca dessas mesmas experiências positivas algum tempo mais tarde. Contudo, quando os hábitos de sono eram adequados, os mesmos efeitos emocionais não se expressavam de forma tão veemente.
 
“Um sono saudável é muito importante para o bem-estar psicológico da criança”, adianta Alfano. De acordo, a cientista a falta de sono pode conduzir a depressão, ansiedade e outros tipos de problemas emocionais. Como tal, alerta os pais para a necessidade de encarar o sono “como um componente essencial da saúde geral, da mesma forma que o fazem com a alimentação, a higiene oral e a atividade física”. A investigadora chama ainda a atenção para os sinais indicadores de sono inadequado nas crianças: dificuldade em acordar de manhã ou sonolência durante o dia. Na sua opinião, tal poderá ficar a dever-se a vários motivos, de entre os quais horas tardias de deitar, sono não reparador e horário de deitar errático.
 
É durante a infância que tanto os padrões de sono como os sistemas de regulação emocional se desenvolvem, pelo que, o estudo da relação entre ambos é essencial nesta fase da vida, afirma Alfano. Investigação anterior desta cientista revelou que a falta de sono faz com um indivíduo procure menos experiências positivas ou recompensadoras quando estas exigem esforço e que, com o tempo, estas alterações no comportamento podem aumentar o risco de depressão e menor qualidade de vida geral. Como tal, a maior necessidade de sono e a plasticidade do cérebro durante a infância sugerem que esta será uma janela de oportunidade importante para uma intervenção precoce.
 
“Há vários processos emocionais que parecem ser desestabilizados pela má qualidade do sono”, afirma Alfano. “Por exemplo, a nossa capacidade de automonitorização, de compreendermos deixas não-verbais de outros e de identificar de forma adequada as emoções dos outros diminui quando o sono não é adequado. Combinar isto com menos controlo sobre os impulsos, uma característica da adolescência, e a privação de sono pode dar origem a uma ‘tempestade perfeita’ para experienciar emoções e consequência negativas”, esclarece.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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