Falta de sono pode aumentar risco de enfarte agudo do miocárdio

Estudo da Organização Mundial de Saúde

17 junho 2015
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A falta de sono está associada a um maior risco de enfarte agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC), defende um estudo realizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS).
 

No estudo inserido no programa MONICA (Multinational Monitoring of Trends and Determinants in Cardiovascular Disease) os investigadores decidiram averiguar a relação entre os distúrbios do sono e o risco de desenvolvimento de enfarte agudo do miocárdio e AVC, que são a causa de 80% das mortes cardiovasculares.
 

“Os distúrbios de sono estão estreitamente associados à presença de doenças cardiovasculares. Contudo, até à data, ainda não se tinha sido realizado um estudo populacional que averiguasse o impacto dos distúrbios do sono no desenvolvimento do enfarte agudo do miocárdio e do AVC”, revelou, em comunicado de imprensa, Valery Gafarov, da Academia Russa de Ciências Médicas, na Rússia.
 

O estudo incluiu a participação de 657 homens com idades compreendidas entre os 25 e os 64 anos e sem antecedentes de enfarte agudo do miocárdio, AVC ou diabetes. A qualidade do sono foi avaliada no início do estudo, em 1994, através da escala Jenkins Sleep. Foi avaliada a incidência de enfarte agudo do miocárdio e AVC ao longo de 14 anos.
 

O estudo apurou que 63% dos pacientes que tinham sofrido um enfarte agudo do miocárdio também tinham um distúrbio do sono. Os distúrbios do sono estão estreitamente associados a estados afetivos negativos, como depressão, hostilidade e exaustão.
 

Ao longo dos cinco a 14 anos de acompanhamento, os investigadores verificaram que os homens com distúrbios do sono tinham um risco de enfarte agudo do miocárdio 2 a 2,6 vezes maior e um risco de AVC 1,5 a 4 vezes maior do que aqueles sem problemas de sono.
 

“Os distúrbios do sono foram associados a um aumento da incidência de enfarte agudo do miocárdio e AVC. Também constatamos que as taxas de enfarte agudo do miocárdio e AVC nos homens com distúrbios do sono estavam associadas à situação social, com uma maior incidência nos viúvos ou divorciados, que não tinham terminado a escola secundária e que se dedicavam a trabalhos manuais pesados”, revelou, em comunicado de imprensa, o investigador.
 

“O sono não é algo trivial. A falta de sono deveria ser considerada um fator de risco modificável para a doença cardiovascular juntamente com o tabagismo, falta de exercício físico e adoção de uma dieta deficiente. As recomendações médicas deveriam adicionar o sono como um fator de risco para a prevenção das doenças cardiovasculares”, conclui Valery Gafarov.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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