Falta de sono impede tomada de decisão em momentos de crise

Estudo publicado no “Sleep”

14 maio 2015
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A diferença entre a vida e a morte numa sala de operações, no campo de batalha ou durante um tiroteio depende frequentemente da capacidade de adaptação ao inesperado. A falta de sono, contudo, pode dificultar esta adaptação e impedir a correta tomada de decisão, revela um estudo da Universidade do Estado de Washington, EUA.
 
Em contexto normal, a tomada de decisão é um processo dinâmico que requer que uma pessoa perceba o que se passa à sua volta em resultado das suas decisões e da alteração das circunstâncias. Um cirurgião, por exemplo, poderá notar alterações nos sinais vitais do paciente a meio da cirurgia e utilizar essa informação para alterar o seu curso de ação.
 
“Estudos anteriores acerca da falta de sono e tomada de decisão não se aperceberam da importância da adaptação à mudança de circunstâncias para determinar quando é que a falta de sono poderá conduzir ao insucesso da tomada de decisão”, aponta John Hinson, professor de psicologia e um dos autores do estudo.
 
Pela primeira vez, os cientistas criaram uma experiência em laboratório que simula de que forma a falta de sono afeta aspetos críticos da tomada de decisão em situações vitais do mundo real.
 
Para tal contaram com a participação de 26 adultos saudáveis. Metade dos participantes foram selecionados aleatoriamente para se manterem acordados durante 62 horas após o segundo dia, enquanto os restantes foram autorizados a descansar. Durante seis dias e seis noites, os participantes viveram num laboratório, onde realizaram tarefas para avaliar a sua capacidade de utilizar feedback para orientar as suas ações.
 
Aos participantes foram mostrados números aos quais (apesar de não o saberem) foi previamente atribuído um valor de “avançar” (responder) ou “não avançar” (não responder). Os participantes tinham menos de um segundo para decidir se deviam responder ou não a cada número apresentado.
 
Cada vez que acertavam, recebiam uma quantia fictícia de dinheiro e quando erravam perdiam parte do dinheiro fictício.
 
Passado algum tempo, tanto o grupo que não tinha dormido como aquele que tinha dormido tinham percebido o padrão e selecionado os números corretos. 
 
De seguida, os cientistas alteraram as condições de forma que os participantes tinham de não responder aos números aos quais tinha sido atribuído anteriormente o valor “avançar” e responder àqueles que tinham sido identificados como “não avançar”.
 
Esta alteração confundiu os participantes que não tinham dormido que, mesmo depois de lhes serem mostrados 40 números, apresentavam uma taxa de sucesso de quase zero. Por outro lado, aqueles que tinham descansado perceberam a alteração num espaço de oito a 16 números.
 
Estes dados revelam que independentemente da vontade da pessoa, a falta de sono impede que o cérebro consiga usar a informação de forma eficaz. 
 
Este estudo constitui uma nova forma de investigar o papel da falta de sono na tomada de decisão em situações do mundo real em que a informação vai emergindo ao longo do tempo.
 
“Pessoas em ambientes críticos são responsabilizadas pelas suas ações quando estão cansadas, tal como qualquer outra pessoa”, refere Van Dongen, outro autor do estudo. “Contudo, agora sabemos que quando uma pessoa não dorme, o seu cérebro simplesmente não processa o feedback às suas ações e à mudança de circunstâncias”, acrescenta.
 
Desta forma, conclui o investigador que os achados deste estudo “indicam que colocar pessoas com falta de sono em ambientes perigosos é uma ação inerentemente arriscada e aumenta o número de implicações médicas, legais e financeiras”.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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