Falta de regulação em dispositivos médicos provoca mortes e complicações mundialmente

Investigação do Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação

28 novembro 2018
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A regulação ineficiente e falta de testes em dispositivos médicos estão a provocar mortes e complicações em doentes de todo o mundo, revelou uma investigação do Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (CIJI).
 
Segundo relatou a agência Lusa, a investigação designada “Implant Files” foi conduzida por mais de 250 jornalistas de 36 países, que analisaram milhares de documentos, concluindo que lacunas no controlo de dispositivos médicos provocam cada vez mais complicações, difíceis de quantificar e identificar.
 
Nos EUA, país que tem uma base de dados na matéria, estima-se que complicações com este tipo de dispositivos terão causado 82 mil mortes e 1,7 milhões de feridos, em dez anos.
 
Em França, de acordo com dados da agência nacional do medicamento, o número de incidentes ligados a dispositivos médicos duplicou em dez anos, com mais de 158 mil complicações e 18 mil casos só em 2017.
 
No Reino Unido, os reguladores receberam 62 mil queixas de incidentes com dispositivos médicos, entre 2015 e 2018, um terço dos quais tiveram repercussões graves no doente, e 1.004 resultaram em morte.
 
Os exemplos de falhas no mercado dos dispositivos médicos apontados pelo jornal britânico The Guardian incluem casos de próteses da anca e contracetivos vendidos a hospitais sem testes clínicos, doentes com “pacemakers” com problemas detetados pelos fabricantes ou complicações numa malha de hérnia que afastou de competição durante anos um dos melhores atletas britânicos (que não nomeiam).
 
O presidente do Real Colégio de Cirurgiões, professor Derek Alderson, afirmou ao The Guardian que já aconteceram incidentes suficientes para “sublinhar a necessidade drástica de mudanças na regulação”, incluindo a introdução de um registo obrigatório em todos os dispositivos médicos.
 
“Ao contrário dos medicamentos, muitas inovações cirúrgicas são introduzidas sem ensaios clínicos ou evidência científica centralizada”, afirmou, considerando que constitui “um risco para a segurança do doente e para a confiança pública”.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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