Falta de médicos não se deve a inibições financeiras

Declarações do ministro da Saúde

10 abril 2015
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O ministro da Saúde, Paulo Macedo, em declarações à agência Lusa, na Guarda, referiu que a falta de médicos que se faz sentir em alguns hospitais do país não se deve “a qualquer inibição em termos de disponibilidades financeiras”.
 
"A falta de médicos em algumas especialidades, como nós já dissemos, em vários locais do país, não se trata de qualquer inibição em termos de disponibilidades financeiras. Nós contratamos todos os médicos das especialidades em que há carências", afirmou Paulo Macedo no final de cerimónia da tomada de posse do novo Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde (ULS) da Guarda.
 
O ministro reconheceu que algumas das carências “mais prementes” detetadas na ULS da Guarda são na área da anestesia, uma situação que “é comum a todo o país”, e também na área da radiologia.
 
"Algumas carências têm que ser supridas de uma forma colaborativa, como foi referido na tomada de posse, neste caso através de um acordo que foi feito com o Centro Hospitalar Universitário de Coimbra (CHUC)", esclareceu.
 
De acordo com o governante, as dificuldades vividas na área da radiologia na região da Guarda terão de ser supridas “através de telerradiologia”, sendo necessário também “tornar mais atrativas as condições para os médicos se fixarem na Guarda”.
 
Para a fixação de médicos também contribuirá o diploma publicado para pagar ajudas de custo aos profissionais que tenham mobilidade a mais de 60 quilómetros.
 
"Neste caso concreto da Guarda permite que alguns dos 1.500 médicos que o CHUC [Centro Hospitalar Universitário de Coimbra] tem possam vir a deslocar-se à Guarda", observou.
 
O ministro referiu ainda a possibilidade de recorrer a médicos reformados para que estes possam ter um “impacto positivo”, nomeadamente “em termos de médicos de medicina geral e familiar”.
 
Segundo o ministro, mais de 90% da população abrangida pela ULS/Guarda tem médico de família, embora continue a existir falta de médicos de família, sendo necessário contratar oito profissionais.
 
Paulo Macedo indicou que nos últimos 16 meses foram recrutados 250 pessoas para a ULS/Guarda, sendo cerca de 58 enfermeiros, mais de 40 médicos e oito especialistas.
 
"Este ano já recrutámos mais 35 médicos e autorizámos recentemente a contratação de mais 16 enfermeiros", apontou.
 
O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) entregou uma carta aberta ao ministro da Saúde a alertar que "a grave carência de recursos humanos" na ULS/Guarda, não só "põe em causa a qualidade dos serviços de saúde prestados, bem como, a resposta mínima exigida de algumas das suas valências".
 
O SEP "não pede incentivos para fixar enfermeiros", disse o sindicalista Honorato Robalo, lembrando que "há muitos enfermeiros no desemprego e poucos nos serviços".
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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