Falta de horas de sono tem efeitos irreverssíveis

Estudo publicado nos ”The Journal of Neuroscience”

21 março 2014
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A perda crónica de sono pode ser mais grave do que era pensado, podendo mesmo conduzir a danos físicos irreversíveis e perda de células cerebrais, defende um estudo publicado no ”The Journal of Neuroscience”.
 

Através da utilização de um modelo de ratinho para a perda de sono crónica, os investigadores da Universidade de Peking, nos EUA, constataram que a vigília prolongada está associada a lesão e perda de um tipo de neurónios que são essênciais para o estado de alerta e função cognitiva ótima, os neurónios do locus coeruleus.
 

“Geralmente assume-se que há uma recuperação completa da função cognitiva após um curto ou longo período de perda de sono. Contudo, alguns estudos têm demonstrado que a atenção e outros aspetos da função cognitiva podem não ficar normalizados, mesmo com três dias de recuperação de sono”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Sigrid Veasey.
 

Assim, foi neste contexto que os investigadores decidiram averiguar exatamente como a perda de sono crónica danificava os neurónios, se estes danos eram irreversíveis e quais os neurónios envolvidos.
 

Neste estudo, os ratinhos foram analisados após períodos de descanso, de vigília curta ou prolongada, modelando o que ocorre nos indivíduos que trabalham por turnos. Foi constatado que em resposta à perda de sono curta, os neurónios do locus coeruleus aumentavam a ativação de uma proteína que é importante para a produção de energia mitocondrial (SirT3) e protege os neurónios de danos metabólicos.  
 

Esta proteína é essencial para manter a homeostasia metabólica no caso da perda de sono curto. Contudo, em períodos de vigília longos, a resposta da SirT3 não ocorre. Após os ratinhos terem sido expostos durante vários dias aos padrões de sono semelhantes aos dos indivíduos que trabalham por turnos, foi verificado que os neurónios do locus coeruleus começaram a apresentar uma redução na SirT3, houve um aumento da morte celular, tendo os ratinhos perdido 25% destes neurónios.
 

“Este é o primeiro estudo que demonstra que de facto a perda de sono pode resultar na perda de neurónios. Curiosamente, os resultados sugerem que a mitocôndria nos neurónios do locus coeruleus responde à perda de sono e é capaz de se adaptar à perda de sono de curta duração, mas não de uma vigília prolongada”, conclui o investigador.
 

Estes resultados levantam assim a possibilidade que o aumento dos níveis de SirT3 na mitocôndria poderá ajudar a “salvar” os neurónios ou protegê-los durante as horas de sono perdidas. O estudo demonstra ainda a importância da restauração da homeostasia metabólica na mitocôndria nos neurónios do locus coeruleus e noutras áreas cerebrais importantes, de forma a assegurar um funcionamento ótimo ao longo das horas de vigília.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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