Falta de ferro no início da gravidez pode ter efeito sobre o cérebro do bebé

Estudo publicado na revista “PLoS ONE”

25 março 2011
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A deficiência de ferro no início da gravidez pode ter um efeito profundo e duradouro sobre o desenvolvimento do cérebro do bebé, mesmo que esta falta não seja suficiente para causar uma anemia grave, adverte um estudo da Universidade de Rochester, nos EUA, publicado na “PLoS One”.

 

Em comunicado, os investigadores relembram aos obstetras a importância de diagnosticarem e tratarem as deficiências ligeiras ou moderadas de ferro. Estima-se que entre 35 a 58% das mulheres saudáveis apresentem alguma deficiência de ferro. Nas mulheres em idade fértil, uma em cada cinco tem anemia, uma condição mais grave, de acordo com dos dados do National Institutes of Health.

 

Vários estudos já tinham demonstrado que a deficiência de ferro na grávida podia originar anormalidades cerebrais no bebé, que resultam em problemas de linguagem, aprendizagem e comportamento. Mas, até agora, a ciência ainda não conhecia o grau em que esta deficiência de ferro estaria associada às anormalidades cerebrais e quando, durante a gravidez, essa deficiência teria maior impacto sobre o sistema nervoso central do bebé.

 

Para analisarem estes dados, os investigadores procuraram obter mais pormenores através de um sistema controlado num modelo animal, dado não ser viável estudar as concentrações de ferro em embriões humanos. Os cientistas verificaram que o período crítico começa na semana que antecede a concepção e estende-se até o fim do primeiro trimestre. A deficiência de ferro que começa no terceiro trimestre não parece prejudicar o desenvolvimento cerebral.

 

Um dos aspectos mais surpreendente do estudo foi constatar que o momento em que ocorre a deficiência de ferro é muito mais importante do que o grau de deficiência. Esta observação parece também ir contra o senso comum de que a placenta poderia sempre minimizar o impacto da deficiência da mãe para o bebé.

 

“Esta informação é muito importante para o atendimento clínico”, disse, em comunicado, Monique Ho, obstetra e membro da equipa de investigação. “O período pré-natal envolve a recomendação de um multivitamínico que contém ferro, que é geralmente prescrito após a confirmação da gravidez ou na primeira consulta pré-natal. Mas nem todas as mulheres têm acesso ao pré-natal, e nem todas as mulheres podem tomar suplementos no início da gravidez, devido aos vómitos. Este estudo sugere, portanto, que talvez seja mais prudente iniciar mais cedo o acompanhamento de rotina para detectar a deficiência de ferro ", acrescentou a especialista em obstetrícia.  

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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