Falta de estrogénio não justifica ataque cardíaco

Alimentação, falta de exercício, tabagismo e factores genéticos aumentam probabilidade de enfartes em homens

13 setembro 2001
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Em comparação com o sexo masculino, os números indicam que as mulheres sofrem menos de ataques cardíacos. Até ao momento, cientistas e cardiologistas acreditavam que a responsável por esta tendência seria a hormona feminina: o estrogénio.
 

 

Mas um novo estudo elaborado no Reino Unido, e baseado em informações sobre a tendência de enfartes em vários países recolhidos nas últimas décadas, põe em causa anteriores teorias.
 

 

Durante a década de 1940, a taxa de enfartes era aproximadamente 1,5 maior nos homens do que nas mulheres dos países industrializados, como Austrália, Reino Unido e Estados Unidos. Mas, na década de 1970, a diferença entre os sexos aumentou para 3,5.
 

 

Debbie A. Lawlor, da Universidade de Bristol, no Reino Unido, explicou estas diferenças à Reuters: "Durante as décadas de 1960 e 1970, muitos médicos especularam se existiria uma diferença biológica entre homens e mulheres e que o estrogénio seria o responsável pelas baixas taxas de enfartes nas mulheres".
 

 

No estudo liderado por Lawlor, os investigadores avaliaram as tendências de enfartes em homens e mulheres que habitam em vários países do mundo, durante o período entre 1921 a 1998. Os dados referentes a habitantes do País de Gales e Inglaterra foram comparados aos registos da Suécia, França, Japão e Estados Unidos durante os anos de 1947 a 1997.
 

 

As descobertas indicam que a diferença entre os sexos aumentou mais entre homens e mulheres que moravam no Reino Unido, Austrália, Estados Unidos e Suécia. Já outros países, incluindo França e Japão, mostraram pouca mudança durante os anos na diferença entre as taxas de enfarte entre homens e mulheres, segundo estudo publicado na revista médica British Medical Journal.
 

 

Factores ambientais
 

 

"Um efeito protector do estrogénio não pode explicar sozinho essas tendências porque é inconcebível que os níveis de estrogénio na mulher tenham mudado tão drasticamente durante o último século ou que variem tanto entre as mulheres de diferentes países", observou a equipa.
 

 

Segundo os cientistas, a boa notícia é que“as diferenças entre os sexos (para enfartes) são resultado de factores ambientais e, logo, são evitáveis”.
 

Uma dieta alimentar correcta, bem como exercício físico podem ser a causa das diferenças que justificas as taxas de enfartes entre homens e mulheres. Factores genéticos, sedentarismo e tabagismo podem também aumentar a probabilidade de ataques cardíacos entre ambos os sexos.
 

 

Paula Pedro Martins
 

 

MNI - Médicos Na Internet
 

 

Fonte: Reuters
 

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