Falta de cocaína agrava síndroma em dependentes
11 julho 2001
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A síndroma da falta nos cocainómanos agrava-se progressivamente após deixarem a droga em vez de se atenuar, indicam experiências realizadas em ratos por especialistas norte-americanos do comportamento descritas na edição de hoje da revista Nature.
 

 

A equipa de Yavin Shaham, em Baltimore, Maryland (do NIDA - National Institute on Drug Abuse), viciou sete grupos de ratos no consumo de cocaína.
 

 

As sessões de injecção, duas vezes por dia, faziam-se anunciar através de uma luz vermelha e a introdução do sistema de seringas nas gaiolas. De cada vez que os ratos eram injectados soava também um sinal sonoro durante cinco segundos.
 

 

Após dez dias, os ratos não tiveram mais acesso à droga, mas podiam ainda accionar uma alavanca que disparava os estímulos luminoso e sonoro associados ao consumo.
 

 

Os ratos que pressionavam mais freneticamente a alavanca esperando receber a droga foram os que se encontravam privados da cocaína há 60 dias e não os que estavam sem cocaína apenas há um dia.
 

 

"O fenómeno ajuda a compreender porque é que a dependência é uma doença crónica e tem recaídas", comentou Alan Leshner, director do NIDA.
 

 

A persistência da carência, muito tempo depois da última dose de cocaína, deverá ser tomada em consideração para o desenvolvimento de programas terapêuticos de desintoxicação, segundo este especialista.
 

 

Os resultados obtidos com os roedores "correspondem às observações clinicas junto dos humanos" e sugerem, sublinham os investigadores, que a carência passa por uma fase de "incubação durante os primeiros dois meses de abstinência e persiste provavelmente durante mais algum tempo".
 

 

Os especialistas são ainda incapazes de explicar os mecanismos da incubação.
 

 

O estudo sugere que um consumidor de cocaína é mais vulnerável e susceptível de ter uma recaída após a fase aguda da falta que se segue ao abandono da droga, concluiu Shaham.
 

 

 

Lusa
 

 

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