Falta de água potável encoraja terrorismo

Fórum Mundial da Água realiza-se no Japão

24 março 2003
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A falta de água potável no mundo pode encorajar o terrorismo. A ideia foi levantada durante o 3º Fórum Mundial da Água, que se realizou este fim-de-semana em Quioto, no Japão.
 

 

Mona El Kody, presidente da Unidade de Investigação Nacional de Água do Egipto, disse que a vida sem o acesso à água potável cria «um ambiente desumano» que leva à frustração e, a partir daí, ao terrorismo.
 

 

«Um meio ambiente que não oferece condições básicas de vida - sem água e sem saneamento básico - é a pior experiência que o ser humano pode ter», concluiu El Kody.
 

 

Segundo El Kody, os Estados árabes são os que mais sofrem com o problema. O Médio Oriente tem acesso a apenas um por cento da água potável disponível no mundo, que precisa ser partilhada pelo correspondente a cinco por cento da população mundial.
 

 

A situação na região conduz a que as disputas pela água sejam bastante frequentes. Na Cisjordânia, por exemplo, a água potável precisa ser transportada em camiões – sendo, por isso, bastante racionada.
 

 

A situação tende a piorar, garantem os especialistas presentes em Quioto. Além do consumo per capita de água ser o menor do mundo, muitos países árabes já não têm mais como desenvolver as suas fontes. «A água é essencial e já não há possibilidade de extrair mais», afirma Atef Mandy, da ONG Arab Water Vision.
 

 

Em 2025, estima-se que os países árabes usem mais do que o dobro da quantidade de água disponível na região.
 

 

Os representantes dos países no fórum pediram mudanças essenciais urgentes para combater o problema.
 

 

Se as mudanças forem realizadas, a situação pode melhorar de imediato. «Os países árabes precisam fazer mais com menos água», acredita El Kody.
 

 

Ainda durante a conferência, o Banco Mundial foi duramente criticado por exigir que os países em desenvolvimento privatizassem os seus serviços de água, como uma condição para o desenvolvimento.
 

 

Duas instituições que lidam com o problema da água afirmaram que, ao estimular as privatizações, o Banco Mundial esqueceu das necessidades reais desses países, que passaram a ter serviços caros demais.
 

 

O Banco Mundial negou as críticas, alegando que a privatização nunca fez parte de uma ideologia imposta aos países. Segundo o banco, a instituição sempre estimulou que governos e empresas encontrassem soluções conjuntas para o problema.
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

 

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