«Falar» através das imagens

Software português que ajuda deficientes a comunicar foi melhorado

06 dezembro 2002
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Uma ferramenta informática que ajuda pessoas incapazes de comunicar verbalmente a "falarem" recorrendo a imagens ou símbolos, o Pocket Voice, foi melhorada de forma a poder ser também utilizada por quem tem limitações motoras graves.
 

 

O software foi elaborado por um casal português que dedica o seu tempo livre ao desenvolvimento de aplicações educativas para cidadãos com necessidades especiais, tendo já sido distinguidos com vários prémios.
 

 

Pedro Ivo Faria e Carla Faria, ambos com formação em informática, têm fornecido gratuitamente a aplicação em CD a quem a solicite, através do endereço electrónico http://www.pocketvoice.com.
 

 

Na véspera do Dia Internacional da Pessoa Portadora de Deficiência, que se assinala terça-feira, o casal anunciou ter desenvolvido uma solução completa que permite que o Pocket Voice seja usado por pessoas com limitações motoras graves.
 

 

O Pocket Voice corre habitualmente num aparelho portátil, o Pocket PC, com um ecrã táctil, uma vantagem para a maioria das pessoas.
 

"Mas para aqueles com deficiências motoras graves, ou tinha de se colocar o Pocket PC muito perto da cara ou muito perto das mãos, o que o tornava inútil", explicou, em declarações, à Agência Lusa, Pedro Ivo Faria.
 

 

Para colmatar este problema, desenvolveram cabos e conversores que permitem a ligação de "switchs" (interruptores) ao aparelho, bem como suportes para fixação do Pocket PC às cadeiras de rodas.
 

"Assim, o aparelho pode ser colocado à distância correcta dos olhos do utilizador que possui um botão para interagir com o Pocket PC", sublinhou.
 

 

Todos estes acessórios vão ser também em breve comercializados por Carla e Pedro Faria, com preços que cobrem apenas os materiais utilizados e que representam cerca de um décimo do actual preço do mercado.
 

 

"Um switch, por exemplo, que é vendido actualmente por 130 euros, poderá ser disponibilizado por cerca de 15 euros", explicou.
 

 

O casal recebeu em Maio o prémio Ciência/Intel na 5/a edição do Concurso Nacional de Software, promovido pela Microsoft, com o "Pocket Voice", que permite a comunicação através de símbolos pictográficos.
 

 

A ideia surgiu ao observarem a forma como um casal amigo comunicava com o filho autista (criança normal mas com uma barreira que impede a comunicação): através de cartões com imagens ou símbolos traduzindo necessidades como sede, fome ou urgência em ir à casa de banho.
 

 

A partir daí, o casal, que também tem um filho com paralisia cerebral, desenvolveu uma aplicação para crianças e adultos que permite a comunicação por símbolos pictográficos mas, ao mesmo tempo, verbaliza a escolha feita pelo utilizador, permitindo que ao seleccionar um dos símbolos seja emitido o som correspondente.
 

 

A aplicação, cuja versão primitiva (a que foi enviada ao Concurso Microsoft) demorou um mês e meio a escrever, está dividida em dois módulos, o primeiro instalado no Desktop (computador de secretária) permitindo a definição de Perfis (parametrização e personalização) e outro no Pocket PC que os executa.
 

 

Existem três modos de funcionamento distintos do software, apresentando interfaces diferentes, de forma a ser possível adequar o Pocket Voice às limitações (visuais, motoras ou intelectuais) do utilizador.
 

 

"Como cada pessoa tem necessidades diferentes, a nossa proposta é apenas uma base de dados que os utilizadores (ou familiares) podem aumentar e até partilhar, via Internet, com outros", explicou.
 

 

Depois do Concurso, Carla e Pedro Faria procederam a um conjunto de testes da aplicação no Centro de Reabilitação Profissional de Gaia e comprovaram a eficácia em casos de falta de comunicação por incapacidade auditiva, paralisia cerebral ou mesmo autismo.
 

 

Fonte: Lusa
 

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