Facebook associado a sintomas depressivos

Estudo publicado no “Journal of Social and Clinical Psychology”

14 abril 2015
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O Facebook (FB) é usado por milhões de pessoas todos os dias e é aparentemente inofensivo. No entanto, um novo estudo revela que o uso excessivo desta rede social está associado a sintomas depressivos.
 
O problema reside no facto de, muitas vezes, as pessoas passarem demasiado tempo no FB a comparar as suas vidas com as dos outros.
 
Investigadores da Universidade de Houston, liderados por Mai-Ly Steers, levaram a cabo dois estudos para avaliar até que ponto a comparação social de utilizadores do FB poderia afetar a sua saúde mental.
 
O primeiro estudo envolveu 180 participantes de ambos os sexos e o segundo 152. Ambos revelaram que o tempo passado no FB e os sintomas depressivos estavam relacionados e que isto se devia essencialmente à comparação social que o uso das redes sociais fomentava (ainda que no primeiro estudo o impacto da comparação social só se tenha verificado nos participantes do sexo masculino).
 
Os dados demonstraram também que a comparação social no contexto das redes sociais tem efeitos ainda mais negativos sobre as pessoas do que a comparação social no âmbito do contacto cara-a-cara. Isto estará relacionado, por um lado, com o facto de nas redes sociais ser possível compararmo-nos com um maior número de pessoas, mesmo com aquelas com quem não convivemos. 
 
Para além disso, se numa conversação ainda conseguimos orientar o rumo da conversa, nas redes sociais não controlamos aquilo que os nossos amigos vão publicar. Daí que se torne mais difícil controlarmos o impulso de compararmos aspetos da nossa vida com a dos outros. Por outro lado, deve-se ao facto de no FB as pessoas terem tendência apenas a revelar os aspetos positivos da sua vida. Portanto, aquilo que ficamos a conhecer da vida dos nossos amigos virtuais é uma visão distorcida das suas vidas, onde apenas os momentos altos são revelados e, muitas vezes, recriados. 
 
Conforme explica Steers, “isto faz com que a vida dos outros nos pareça muito melhor que aquilo que de facto é e, consequentemente, nos faça sentir pior em relação à nossa própria vida”. Facilmente se entende que uma pessoa que esteja a experienciar problemas emocionais, quando confrontada com estas vidas virtuais em que tudo parece cor-de-rosa, se sinta ainda mais isolada e sozinha.
 
Os investigadores alertam assim para os perigos destas novas tecnologias e sugerem que pessoas que possam estar em risco de sofrer uma depressão não passem muito tempo no FB.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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