Fabricado óvulo humano

Esperança para mulheres que querem ser mães e não conseguem produzir óvulos funcionais

05 julho 2001
  |  Partilhar:

Mulheres que não produzem óvulos funcionais podem vir a poder ter filhos geneticamente seus ajudadas por uma técnica de clonagem, estudada por cientistas norte-americanos.
 

 

Estes investigadores conseguiram fabricar óvulos humanos artificiais que contêm uma só cópia de cada um dos cromossomas da futura mãe. Estes óvulos podem depois ser fertilizados por espermatozóides do companheiro, como qualquer óvulo normal.
 

 

As mulheres sujeitas a quimioterapia ou a cirurgia ovária podem perder a capacidade de produzir óvulos normais, mas o maior número de pessoas com este problema são mulheres de meia idade cujos óvulos se tornaram demasiado velhos para se desenvolverem normalmente. A maioria destas mulheres só consegue dar à luz usando óvulos de uma dadora, o que faz os filhos não seus geneticamente.
 

 

Os cientistas tentaram uma nova abordagem do problema auxiliando-se na técnica da clonagem. Eles transplantaram um núcleo de uma célula madura da paciente para um óvulo de uma dadora cujo núcleo – e portanto o seu material genético – foi retirado. Assim, o bebé herdará o material genético da paciente.
 

 

Mas a equipa tentou criar óvulos que se comportem e funcionem o mais “naturalmente” possível – que contenham só metade dos cromossomas dessa pessoa.
 

 

Normalmente um óvulo maduro contém 2 grupos de cromossomas: um herdado da mãe da mulher e outro herdado do pai. Quando o óvulo é fertilizado ele mantém metade dos seus cromossomas no seu pronúcleo e coloca o restante num pequeno compartimento designado por corpo polar. O espermatozóide, após fertilização, fornece a complementaridade dos cromossomas.
 

 

O grupo de investigadores tentou reproduzir este efeito nos óvulos criados artificialmente. Para isso bombardearam o óvulo criado com um pulso eléctrico e verificaram que o núcleo se dividiu ao meio, formando dois pronúcleos. A equipa retirou então um dos núcleos e fertilizou o óvulo injectando-lhe o espermatozóide. Até agora conseguiram fertilizar os óvulos artificiais mas o desenvolvimento embrionário é interrompido espontaneamente após 1 ou 2 ciclos de divisão celular.
 

 

Os autores admitem que isto é ainda um estudo preliminar e muitas dificuldades têm que ser ultrapassadas, nomeadamente o denominado impriting dos cromossomas. O impriting são os diferentes padrões moleculares dos cromossomas, que herdamos de cada pai, e que são essenciais ao desenvolvimento embrionário.
 

 

Helder Cunha Pereira
 

MNI – Médicos Na Internet
 

 

Fonte: New Scientist

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.