Exposição prolongada a sémen reduz hipótese de infeção por VIH

Estudo publicado na revista “Nature Communications”

06 setembro 2019
  |  Partilhar:
Cientistas do Instituto Wistar e da Universidade de Porto Rico descobriram que as células imunitárias do tecido vaginal podem adquirir alguma resistência ao vírus do VIH quando expostas a sémen regularmente.
 
Estudos anteriores tinham já demonstrado alterações no tecido cervico-vaginal em trabalhadoras do sexo, devido à exposição continuada a sémen, que prognosticavam uma maior resistência à infeção por VIH.
 
Para compreender esta resistência e se o sémen em si seria um fator, foram administradas, em fêmeas de primatas não-humanos, doses de sémen duas vezes por semana durante vinte semanas, com e sem partículas inativas do vírus de imunodeficiência símia (VIS), semelhante ao VIH. Depois deste período, foram administradas doses maiores do VIS.
 
Os animais expostos a sémen demonstraram um decréscimo de 42% no risco de infeção, comparando com o grupo de controlo. Foram descobertas no tecido vaginal e corrente sanguínea destes animais expressões baixas de recetores CCR5 que auxiliam o vírus VIH a fixar-se nas células, além de altos níveis de citocina CCL5, um fator natural supressivo de VIH.
 
Adicionalmente, revelou-se a presença de fatores antivirais MX1 positivamente correlacionados com os níveis de IFN. Os IFN, que podem ser induzidos pelo sémen e protegem as células de bactérias e vírus, têm também propriedades diretas contra o VIH.
 
Os investigadores alertam que os animais expostos a sémen, que não foram infetados depois de administradas baixas doses do vírus, ficaram infetados depois de expostos a doses mais elevadas, confirmando que o contacto com sémen apenas protege parcialmente, não sendo sinónimo de imunidade.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
Partilhar:
Comentários 0 Comentar