Exposição precoce a antidepressivos afeta ansiedade na idade adulta

Estudo publicado na revista “Neuropsychopharmacology”

26 dezembro 2014
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A exposição precoce a antidepressivos pode afetar a ansiedade na idade adulta, sugere um estudo publicado na revista “Neuropsychopharmacology”.
 
Neste estudo, os investigadores da Universidade da Califórnia, nos EUA, avaliaram o efeito de dois antidepressivos, o Prozac e o Lexapro, num modelo animal que mimetiza a exposição medicamentosa ao terceiro trimestre nos humanos. Verificou-se que, apesar de estes serem dois antidepressivos conhecidos como inibidores seletivos da recatação da serotonina, e por isso funcionarem à partida da mesma forma, não produziram as mesmas alterações a longo prazo nos comportamentos de ansiedade nos ratinhos adultos. 
 
O estudo apurou que os ratinhos expostos ao Lexapro apresentavam alterações permanentes na neurotransmissão dos sinais realizada através da serotonina e níveis de ansiedade menores na idade adulta, comparativamente com os animais que tinham sido expostos ao Prozac.
 
De acordo com os autores do estudo, estes resultados são surpreendentes na medida em que estes dois medicamentos pertencem à mesma classe de fármacos e acredita-se que funcionem através do mesmo mecanismo. Estes achados poderão ter impacto em investigações futuras para que seja “possível identificar antidepressivos específicos que sejam mais seguros para as mulheres grávidas” referiu a líder do estudo, Anne M. Andrews.
 
“É importante reconhecer que os transtornos depressivos e de ansiedade são doenças graves que muitas vezes exigem intervenção terapêutica. Assim, é fundamental prescrever a medicação mais segura para a mãe e a criança”, acrescentou a investigadora.
 
Os inibidores seletivos da recatação da serotonina, como os que foram avaliados, bloqueiam uma proteína denominada transportador da serotonina, que remove a serotonina do espaço de sinalização entre os neurónios. Os investigadores também estudaram ratinhos que tinham sido geneticamente modificados para apresentar uma redução ou mesmo ausência dos transportadores de serotonina no cérebro. Desta forma, foi possível comparar a exposição precoce aos antidepressivos com a redução permanente deste transportador.
 
Acredita-se que a redução da expressão do transportador da serotonina é também um fator de risco, particularmente quando combinado com eventos diários stressantes, para o desenvolvimento da ansiedade e distúrbios de humor. Aliás, verificou-se que os ratinhos geneticamente modificados apresentavam níveis mais elevados de ansiedade na idade adulta. 
 
"Pode ser possível que, quando as mães são tratadas para depressão ou ansiedade durante a gravidez, determinados inibidores seletivos da recatação da serotonina possam promover a resiliência em relação ao desenvolvimento destas doenças em crianças, mais tarde na vida. No entanto, são necessários mais estudos para que seja possível perceber se isto é verdade e se determinados inibidores seletivos da recaptação da serotonina podem ser mais eficazes na promoção destes efeitos”, conclui a investigadora.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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