Exposição ambiental a hormonas usadas na agropecuária é maior do que o esperado

Investigação divulgada no “Nature Communications”

15 maio 2015
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Uma investigação norte-americana revela que as hormonas de crescimento usadas na produção de carne, que são potencialmente prejudiciais, permanecem no meio-ambiente durante mais tempo e em concentrações mais elevadas do que anteriormente se pensava.
 
“Aquilo que lançamos para o meio ambiente é apenas o início de uma série de reações químicas complexas que podem ocorrer, por vezes, com consequências indesejadas”, adverte o autor principal do estudo, Adam Ward.
 
Cientistas da Universidade do Indiana, da Universidade do Iowa e da Universidade de Washington, nos EUA, analisaram o destino no meio ambiente do acetato de trembolona (TBA), um sintético análogo à testosterona extremamente potente, usado para promover o aumento de peso em gado. A maioria do gado bovino nos EUA é tratado com TBA ou uma de outras cinco hormonas de crescimento aprovadas.
 
Este produto, assim como outros associados, têm sido alvo de crescente preocupação e são vulgarmente conhecidos como desreguladores endócrinos que, no meio ambiente, têm a capacidade de interferir nos processos reprodutivos, assim como nos comportamentos de seres aquáticos.
 
O TBA é administrado no gado bovino e é libertado sob a forma de 17 alfa-trembolona (um produto químico semelhante ao TBA) para o meio ambiente, nomeadamente para lençóis de água, através do estrume que é limpo dos estábulos e utilizado para fertilizar a terra.
 
Apesar de o composto se desagregar rapidamente quando exposto à luz solar – o que se pensava reduzir em grande medida o seu impacto ambiental – a verdade é que estudos recentes revelaram que os produtos resultantes desta desagregação regressavam à sua forma original no escuro, durante a noite. 
 
Ward e sua equipa quiserem perceber durante quanto tempo o 17-alfa-trembolona se mantinha no ambiente e qual o impacto deste no ecossistema aquático.
 
Utilizando técnicas de modelação matemática, os cientistas demonstraram que as concentrações de metabólitos do TBA nas correntes de água podem ser 35% mais elevadas do que inicialmente se pensava e que estes compostos se mantêm ativos por mais tempo, resultando numa exposição biológica cerca de 50% maior do que o expectável. 
 
Os investigadores consideram estes achados perigosos, pois mesmo concentrações muito baixas destes potentes desreguladores endócrinos já demonstraram produzir efeitos significativos na vida aquática.
 
“Estes compostos têm o potencial de desregular ecossistemas inteiros, alterando os ciclos reprodutivos de várias espécies, incluindo peixes”, alertou Ward. “Esperamos impactos que se estendam por toda a rede alimentar aquática”.
 
Embora o foco do estudo tenha sido o TBA e os seus metabólitos, Ward revela que esses compostos são representativos de muitos outros e chamou à atenção para a necessidade de se “pensar acerca de reações inesperadas que ocorrem no ambiente [com compostos] e como podemos gerir o grupo variado de potenciais produtos e dos seus efeitos conjuntos no ambiente e na saúde humana”.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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