Exposição a toxinas afetam comportamento de gerações vindoiras

Estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences”

25 maio 2012
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A exposição a compostos ambientais pode ter implicações no comportamento das gerações vindoiras, sugere um estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences”.

 

Neste estudo os investigadores da The University of Texas e da Washington State University, nos EUA, expuseram ratinhos fêmeas grávidas à vinclozolina, um fungicida popularmente utilizado no tratamento das frutas e vegetais que afeta as hormonas e tem efeitos ao longo de gerações.

 

Posteriormente os autores do estudo submeteram a terceira geração de ratinhos a vários testes comportamentais tendo verificado que, em comparação com os animais cujas gerações anteriores não tinham sido expostas à vinclozolina, estes eram mais ansiosos e mais sensíveis ao stress, apresentando níveis de atividade cerebral mais elevados nas regiões do cérebro associadas ao stress.

 

“Estamos perante a terceira geração de humanos desde do começo da revolução química, desde que os humanos foram expostos a este tipo de toxinas. Este é o modelo animal deste mesmo processo. A exposição ancestral da nossa bisavó altera o desenvolvimento cerebral, respondendo posteriormente ao stress de forma diferente”, revelou, em comunicado de imprensa, Michael Skinner.

 

Os investigadores já tinham conhecimento que a exposição à vinclozolina tinha efeito nas gerações subsequentes, afetando a atividade ou expressão dos genes, um processo conhecido por epigenética. Em estudos anteriores foi verificado que a epigenética transgeracional herdada tinha alterado o modo como os ratinhos escolhiam os seus companheiros. Neste estudo os investigadores exploraram a epigenética do cérebro e comportamento deparando-se pela primeira vez com desafios reais como o stress.

 

Não sabíamos que a resposta ao stress poderia ser programada pela exposição ambiental dos nossos antepassados. Assim o modo como socializamos ou como o nosso nível de ansiedade responde ao stress pode ser ditado pela herança epigenética ancestral, assim como pela nossa experiência nos primeiros anos de vida", explicou Michael Skinner. Para este cientista, isso poderia permitir explicar por que certas pessoas sofrem de síndrome de stress pós-traumático e outras não.

 

"Não há dúvida de que estamos a assistir a um aumento das doenças mentais, como o autismo ou a doença bipolar", acrescenta o investigador. “É mais do que uma mudança ao nível do diagnóstico. A questão é saber porquê. Será por vivermos num mundo mais frenético ou por vivermos num mundo mais frenético e ao mesmo tempo estarmos a responder ao frenesim de forma diferente porque fomos expostos? Inclino-me para a segunda opção”, conclui Michael Skinner.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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