Exposição a diversidade de fungos é benéfica para as crianças

Estudo do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto

08 março 2017
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Investigadores do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) concluíram que a exposição a uma maior diversidade de fungos nas salas de aula pode reduzir o risco de alergias em crianças entre os oito e os dez anos, noticiou a agência Lusa.
 
Contudo, segundo um comunicado da instituição, a exposição a concentrações elevadas de endotoxinas (toxina que integra a parede celular de algumas bactérias) pode aumentar a severidade dos sintomas alérgicos e respiratórios em crianças atópicas, ou seja, com tendência para sofrer de alergias.
 
"Salas de aula com maiores concentrações de espécies de 'Penicillium' apresentaram um risco para sensitização alérgica significativamente mais elevado", disse à Lusa o investigador do ISPUP, João Cavaleiro Rufo.
 
De acordo com o especialista, esta situação pode estar associada ao facto de a diversidade microbiológica das salas de aula diminuir com concentrações elevadas desta espécie de fungos, uma vez que têm potencial microbicida e competem com as outras colónias fúngicas.
 
Para recolha da informação, foram realizadas avaliações clínicas em 71 salas de aula pertencentes a 20 escolas primárias da cidade do Porto, incluindo espirometria com broncodilatação, medição do óxido nítrico no ar exalado, testes cutâneos por picada e questionário de sintomas.
 
Paralelamente, foi feita uma avaliação da qualidade do ar interior nas salas de aula, onde se verificou a concentração de fungos, bactérias e endotoxinas, tal como a diversidade da flora fúngica. Os dados foram depois processados e analisados estatisticamente, sendo o risco associado medido por regressão logística.
 
A recolha de amostras do ar das salas decorreu entre janeiro e abril de 2014 e entre outubro de 2014 e março de 2015, tendo participado 858 crianças.
 
Este estudo, "tal como outros realizados noutros pontos da Europa", sugere que "o aumento da urbanização e higienização do ambiente interior que se tem verificado", pode estar associado "à alteração do microbioma humano e, consequentemente, a uma maior prevalência de sensitização alérgica", explicou o investigador.
 
Devido a isso, segundo indica, deve-se recomendar às crianças (com ou sem doença alérgica) um maior contacto com a natureza e a promoção de um ambiente interior mais biodiversificado.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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