Experiências traumáticas e os efeitos no cérebro a longo prazo

Estudo publicado no jornal “Clinical Psychological Science”

23 julho 2015
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Em agosto de 2001, um avião que transportava 306 passageiros de Toronto para Lisboa, no voo Air Transat 236, ficou sem combustível quando sobrevoa o Oceano Atlântico. A maior parte dos passageiros pensou que ia morrer nessa noite, mas quase por milagre conseguiram fazer uma aterragem de emergência no Aeroporto das Lajes, na ilha Terceira, dos Açores, sem perda de vidas.
 

Passados 14 anos, uma equipa de investigadores do Instituto de Investigação Rotman, em Toronto, no Canadá, realizou um estudo para tentar perceber de que forma eventos traumáticos como este podem afetar o cérebro a longo prazo.
 

Daniela Polombo, líder do estudo, explica que “a forma como cada um deles respondeu a este evento assustador deu-nos informação que nos permite dar um passo em frente na compreensão dos processos cerebrais envolvidos nas memórias traumáticas”.
 

Os resultados mostraram que alguns dos passageiros desenvolveram stress pós-traumático, enquanto outros não.
 

Numa primeira fase do estudo, que decorreu três anos depois do evento, os passageiros (a maior parte deles sem stress pós-traumático) tiveram de reviver os acontecimentos daquele dia e descrever também as memórias que tinham do 11 de Setembro, que aconteceu um mês depois do incidente e de outro evento neutro.
 

Dez anos depois, oito passageiros realizaram várias TAC, enquanto visualizavam títulos de notícias acerca do incidente com o Voo 236, do ataque terrorista do 11 de setembro e de outro evento neutro.
 

Todos os passageiros mostraram ter memórias muito vivas do voo e as TAC mostraram uma atividade cerebral aumentada em regiões do cérebro ligadas à memória emocional, incluindo a amígdala, o hipocampo e regiões frontais e posteriores.
 

As respostas do cérebro eram semelhantes quando os passageiros visualizavam imagens do voo 236 e de outros eventos terríficos, ainda que não fossem eventos pessoais.
 

Ou seja, de acordo com este estudo, o medo que os passageiros sentiram naquele voo mudou a forma como os seus cérebros processam a informação, tornando-os mais sensíveis a experiências negativas.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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