Existirá um exagero na prescrição das estatinas?

Estudo publicado na revista “Annals of Internal Medicine”

07 dezembro 2018
  |  Partilhar:
Um estudo recente apurou que os potenciais riscos oferecidos pela toma de estatinas, usadas para reduzir os índices de colesterol no sangue, poderão ser superiores aos benefícios para milhões de pacientes.
 
O estudo que tinha como objetivo avaliar o uso das estatinas como forma de prevenção primária de doenças cardiovasculares em pacientes sem historial daquele tipo de doenças, foi conduzido por uma equipa de investigadores da Universidade de Zurique, na Suíça.
 
A maioria das orientações médicas recomenda a prescrição de estatinas em pacientes sem historial de sintomas, quando o risco esperado de desenvolverem uma doença cardiovascular nos 10 anos seguintes é de 7,5% a 10%. Isto traduz-se em cerca de 3 em cada 10 adultos globalmente a serem elegíveis para o tratamento. 
 
Os autores do estudo referem, contudo, que muitas vezes não fica claro se os responsáveis pela elaboração das diretrizes terão pesado os prós e os contras da toma destes fármacos.
 
A equipa usou um modelo computacional para avaliar o risco, a 10 anos, de doenças cardiovasculares em quem as estatinas proporcionam pelo menos uma possibilidade de 60% de benefícios concretos.
 
Os malefícios da toma dos fármacos foram considerados eventos adversos como miopatia, diabetes e disfunção hepática. 
 
Os investigadores apuraram que os patamares de risco cardiovascular a 10 anos, em que os benefícios das estatinas são superiores aos malefícios, eram consistentemente superiores aos recomendados nas diretrizes.
 
Nos homens de 70 a 75 anos de idade sem historial de sintomas, por exemplo, os benefícios da toma de estatinas eram superiores aos malefícios apenas quando o risco de desenvolverem doenças cardiovasculares no período de 10 anos era superior a 21%. Nas mulheres da mesma faixa etária e condições, o valor era de 22%.
 
Na faixa etária dos 40 aos 44 anos de idade, os benefícios eram superiores aos malefícios apenas quando o risco de desenvolverem doenças cardiovasculares no período de 10 anos ultrapassava os 14% para os homens e os 17% para as mulheres.
 
Os autores demonstraram alguma preocupação relativamente aos patamares prescritos pelas diretrizes atuais, particularmente em relação a pessoas idosas.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
Partilhar:
Comentários 0 Comentar