Existe um mecanismo capaz de eliminar a memória

Estudo publicado na revista “Nature Communications”

22 março 2016
  |  Partilhar:
Uma equipa internacional de investigadores sugere que durante a aprendizagem o cérebro está ativamente a tentar esquecer, dá conta um estudo publicado na revista “Nature Communications”.
 
“Esta é a primeira vez que uma via no cérebro foi associada ao esquecimento, apagando ativamente as memórias”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Cornelius Gross.
 
Ao nível mais simples, a aprendizagem envolve a criação de associações e as suas recordações. Neste estudo, os investigadores da Universidade Pablo Olavide, em Espanha, e do Laboratório Europeu de Biologia Molecular, na Alemanha, utilizaram ratinhos para estudar o hipocampo, uma região do cérebro que há muito se sabe que ajuda na formação de memórias. A informação entra nesta área do cérebro através de três vias diferentes. À medida que as memórias são cimentadas, as ligações entre os neurónios da via principal ficam mais fortes.
 
Os investigadores constataram que, quando a via principal era bloqueada, os ratinhos deixavam de ser capazes de aprender uma resposta pavloviana (a associação de um som a uma consequência e a antecipação desta). Contudo, se os animais aprendessem a associação antes de o fluxo de informação ser interrompido, conseguiam recuperar a memória. Estes achados confirmam que esta via está envolvida na formação de memórias, mas que não é essencial para a recuperação dessas memórias. Na opinião dos investigadores, a recuperação da memória envolve provavelmente uma segunda via no hipocampo.
 
O estudo apurou que o bloqueio da via principal teve um efeito inesperado. Verificou-se que as ligações ao longo desta ficaram mais fracas, o que significa que a memória foi eliminada. 
 
Na opinião de um dos investigadores, Agnès Gruar, o bloqueio desta via não deveria ter afetado a força das ligações. Experiências posteriores constataram que a atividade numa das outras vias estava a impulsionar este enfraquecimento.
 
Curiosamente, este impulso para esquecer só ocorre em situações de aprendizagem. Quando a via principal do hipocampo foi bloqueada, noutras circunstâncias, as forças das ligações permaneceram inalteradas.
 
De acordo com Cornelius Gross, estes resultados podem ser explicados pelo facto de o cérebro ter um espaço limitado. Assim, “quando estamos a aprender, temos de enfraquecer algumas ligações para dar espaço a outras. Para aprender coisas novas, temos de esquecer o que aprendemos anteriormente”, revelou, em comunicado de imprensa, o investigador. 
 
Apesar de este estudo ter sido realizado em ratinhos geneticamente modificados, os investigadores demonstraram que é possível produzir um fármaco capaz de ativar esta via de “esquecimento” do cérebro sem recorrer à engenharia genética. Na opinião dos autores do estudo, pode ser interessante explorar esta abordagem para ajudar as pessoas a esquecerem experiências traumatizantes.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.