Existe relação entre criatividade e loucura?

Cientistas dizem que sim...

10 dezembro 2003
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Grande parte dos pintores, músicos ou outras personalidades ligadas às artes são muitas vezes tomadas por insanas ou loucas e isso, talvez, tenha algum fundamento científico. Investigadores da Universidade Harvard e da Universidade do Texas, nos EUA, descobriram um elemento comum à criatividade e a desequilíbrios mentais: a maior predisposição a estímulos externos.
 

 

Segundo os cientistas, que publicaram o seu trabalho na revista «Journal of Personality and Social Psychology», as pessoas criativas estão mais receptivas a estímulos externos que as outras. Em doenças como esquizofrenia, essa mesma característica apresenta-se nos estágios iniciais de desenvolvimento.
 

 

Nos animais e nos seres humanos, existe um mecanismo inconsciente chamado de «inibição latente». Essa faculdade permite ignorar estímulos externos que a vivência desses indivíduos tenha demonstrado serem inúteis ou irrelevantes para as suas necessidades. Através de testes psicológicos, os investigadores conseguiram demonstrar que as pessoas criativas têm baixos níveis de inibição latente.
 

 

E isto significa, segundo um dos co-autores do estudo, Jordan Peterson, da Universidade do Texas, que os indivíduos criativos continuam em contacto com a informação extra que chega constantemente do meio em que eles estão.
 

 

«Uma pessoa comum classifica um objecto e esquece-o, mesmo que esse objecto seja muito mais complexo e interessante do que possa perceber. A pessoa criativa, por outro lado, está sempre atenta às novas possibilidades», explicou o especialista.
 

 

No estudo, os cientistas testaram a inibição latente de estudantes da Universidade Harvard, todos abaixo dos 21 anos e considerados extremamente inteligentes. Os que foram considerados mais criativos eram sete vezes mais sujeitos a apresentar baixos níveis de inibição latente.
 

 

Estudos anteriores já associaram uma alta inibição latente a psicose, mas os autores acreditam que esta seja positiva desde que (e apenas se) combinada a uma grande inteligência e a uma boa memória de trabalho, que permita pensar em várias coisas ao mesmo tempo.
 

 

A baixa inibição latente, associada à criatividade, também está presente em perturbações mentais, como a esquizofrenia, que a apresenta em estados iniciais de desenvolvimento, acompanhada de grande introspecção, conhecimento místico e experiências religiosas resultantes de alterações químicas no cérebro.
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

Jornalista
 

MNI-Médicos Na Internet
 

 

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