Exercício físico reduz colesterol mesmo sem perda de peso

Benefícios são mais do que se pensava...

08 novembro 2002
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O exercício físico, mesmo sem ter como objectivo a perda de peso, tem um efeito benéfico sobre o colesterol e permite reduzir os riscos de doença cardíaca, demonstrou pela primeira vez um estudo norte-americano publicado hoje.
 

 

"É necessário fazer os doentes compreenderem que não se devem focalizar tanto na perda de peso mas sim que devem fazer exercício para reduzir os riscos de doença cardíaca", explicou o cardiologista William Kraus, que dirigiu o estudo.
 

 

Por outro lado, é a frequência da actividade física e não uma alteração da intensidade desta actividade que influencia os níveis de colesterol, segundo o estudo que é hoje publicado pelo New England Journal of Medicine.
 

 

Os investigadores da Duke University (Carolina do Norte), que conduziram o estudo, demonstraram ainda que a análise dos lípidos habitualmente utilizada pelos médicos para medir o que se chama de "bom" e "mau" colesterol não fornece as melhores indicações para determinar os riscos de doença cardíaca.
 

 

Efeito positivo
 

 

O elemento mais marcante do estudo é a constatação de que o exercício físico tem um efeito positivo sobre o número e o tamanho das partículas que transportam o colesterol no sangue.
 

 

O colesterol é um lípido que se agarra às proteínas para circular no sangue e alimentar os tecidos.
 

À combinação colesterol-proteína chama-se lipoproteína. Um nível demasiado elevado destes lipoproteínas está associado ao bloqueio das artérias e ao aparecimento de doenças cardíacas.
 

 

"Ressalta do nosso estudo que o colesterol transportado por proteínas mais pequenas e mais densas parece causar doenças cardio- vasculares de forma mais eficaz que o colesterol transportado por partículas mais grossas e porosas", explicou o cardiologista.
 

 

"Demonstrámos que um aumento na frequência da actividade física faz crescer o tamanho das partículas que transportam, simultaneamente, o bom e o mau colesterol", acrescentou.
 

 

Para determinar o efeito da actividade física, os 111 participantes (homens e mulheres), todos com excesso de peso, não foram autorizados a modificar a sua alimentação durante os oito meses do estudo.
 

 

Mau estar geral
 

 

Os resultados basearam-se na análise das mudanças no nível de colesterol dos participantes, que estavam divididos em quatro grupos: grande quantidade de exercício intenso, pequena quantidade de exercício intenso, pequena quantidade com intensidade moderada e inexistência de exercício.
 

 

"Ficámos surpreendidos por ver até que ponto o colesterol se agravava entre as pessoas que não faziam exercício, acompanhado de aumento de peso e de um mau estar geral", concluiu o principal autor do estudo.
 

 

Um relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS), divulgado em Outubro, concluiu que as doenças cardiovasculares são responsáveis por mais de 12 milhões de mortes por ano em todo o mundo.
 

 

Uma das principais conclusões desta análise é que a hipertensão é, por si só, responsável por cerca de metade das doenças cardiovasculares no mundo e o colesterol por um terço.
 

 

Assim, a OMS estima que a hipertensão e o excesso de colesterol provoquem cerca de 9 milhões de mortes e respondam pela perda de 75 milhões de anos de vida saudável por ano.
 

 

Fonte: Lusa
 

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