Exercício físico: por que motivo não é suficiente para perder peso?

Estudo publicado na revista “Current Biology”

02 fevereiro 2016
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A prática de exercício físico nem sempre é suficiente para perder peso. O estudo publicado na revista “Current Biology” revela que o corpo adapta-se a níveis elevados de exercício, por isso as pessoas não queimam necessariamente mais calorias, mesmo que pratiquem mais exercício.
 

O estudo realizado pelos investigadores da Universidade de Nova Iorque, nos EUA, sugere que é necessário repensar sobre o efeito que a atividade física tem no dispêndio de energia. Os investigadores também recordam a importância de aliar a dieta à prática de exercício para conseguir perder peso.
 

"O exercício é muito importante para a saúde. Há toneladas de evidências de que o exercício é importante para manter o corpo e mente saudáveis, e este trabalho não altera esta mensagem. O nosso trabalho acrescenta é que também é necessário as pessoas focarem-se na dieta, particularmente quando se trata de controlar o peso e prevenir ou reverter o ganho de peso saudável", revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Herman Pontzer.
 

Os indivíduos que iniciam programas de exercícios para perder peso, muitas vezes deparam-se com uma diminuição da perda de peso, ou mesmo uma reversão, após alguns meses. Alguns estudos comparativos também têm demonstrado que as pessoas com estilos de vida muito ativos têm um gasto energético diário semelhante ao das populações mais sedentárias.
 

O investigador dá um exemplo de os Hadza, uma população de caçadores-coletores tradicionais no norte da Tanzânia. Esta população é muito ativa, caminha longas distâncias diariamente e têm, diariamente, um trabalho físico intenso. Apesar dos níveis de atividade elevada, os investigadores constataram que a população tinha um gasto energético diário semelhante às pessoas que vivem de um modo mais sedentário.
 

De forma a avaliar a associação entre a atividade física e a energia despendida, os investigadores mediram, ao longo de uma semana o gasto energético diário e os níveis de atividade física em 300 indivíduos.
 

O estudo apurou que existia um efeito fraco, mas mensurável da atividade física no gasto energético diário. Análises posteriores revelaram que este padrão aplicava-se apenas aos indivíduos situados na metade inferior do espetro de atividade física. Os indivíduos que praticavam níveis de atividade física moderados gastavam em média mais 200 calorias do que os indivíduos mais sedentários. Por outro lado, a prática de exercício físico acima dos níveis moderados não produziu qualquer efeito extra no consumo de energia.
 

“As pessoas fisicamente mais ativas gastaram a mesma quantidade de calorias diárias que aquelas que eram apenas moderadamente ativas”, referiu o investigador.
 

Na opinião dos autores do estudo, tem de se deixar de assumir que uma maior atividade física significa um maior gasto de calorias. Se não praticarmos exercício somos pouco saudáveis, mas se este for em demasia o corpo faz ajustes de forma a adaptar-se.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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