Exercício físico pode melhorar memória

Ratos «atletas» têm mais neurónios

16 dezembro 2003
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Muito além de um corpo em forma, o exercício físico pode ajudar a ampliar a capacidade de aprender e memorizar.
 

Um estudo da universidade Oregon de Saúde e Ciência, nos EUA, publicado na revista «Neuroscience», mostra que o exercício aumenta a quantidade de BDNF (sigla em inglês para factor neurotrófico derivado do cérebro), uma substância que regenera e cria neurónios na parte do cérebro especializada na memória e aprendizagem, o hipocampo.
 

 

Os investigadores, no entanto, pedem para que os atletas não aumentem as suas cargas de exercícios de uma hora para outra porque os resultados sobre o aumento do BDNF ainda precisam de mais estudos para serem confirmados como algo benéfico.
 

 

As razões para essa precaução quanto aos benefícios do exercício físico intenso para o cérebro devem-se aos resultados de um estudo, que utilizou ratos com disposição genética para o exercício físico, como correr na roda das gaiolas.
 

Ao mesmo tempo que tiveram um aumento de 171 por cento dos índices de BDNF após sete noites de exercícios, esses ratos tiveram uma «performance» muito má para encontrar a saída de um labirinto, em comparação com os ratos comuns.
 

 

A falta de habilidade desses ratos com maior produção de BDNF no labirinto pode estar baseada em razões não-biológicas, como o facto de estarem tão concentrados no exercício físico que não se interessem por nenhuma outra coisa, mas também pode ser que um aumento na produção do factor se deva a um aumento do stress no hipocampo.
 

Além de aumentar a produção de BDNF, os cientistas comprovaram que há também um aumento no número de neurónios no hipocampo dos ratos «atletas». Quando os ratos com tendência a correr são afastados da possibilidade de se exercitar, as áreas do cérebro responsáveis pelo desejo por comida, sexo ou drogas tornam-se mais activas. Isso ajudará os cientistas a estudar a relação entre os desejos naturais, como a fome, e o vício por drogas em razão de situações patológicas.
 

 

O estudo também concluiu que o aumento na produção de BDNF seria uma reacção de protecção aos neurónios e não de melhoria ou benefício puro e simples. Segundo os investigadores, até ao momento ninguém avaliou se a alta carga de exercícios pode matar ou danificar os neurónios no hipocampo.
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

Jornalista
 

MNI-Médicos Na Internet
 

 

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