Exercício físico: como protege da depressão?

Estudo publicado na revista “Cell”

30 setembro 2014
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O exercício físico tem efeitos muitos benéficos na saúde, incluindo na proteção da depressão induzida pelo stress. O estudo publicado na revista “Cell” constatou que a atividade física induz alterações nos músculos esqueléticos que podem purgar o sangue de uma substância que se acumula durante o stress e é prejudicial para o cérebro.
 

Já se sabia que a prática de exercício físico aumentava os níveis de PGC-1alfa1 nos músculos esqueléticos e que esta substância aumentava a massa muscular decorrente da prática de exercício. Neste estudo, os investigadores do Instituto Karolinska, na Suécia, utilizaram ratinhos com níveis elevados de PGC-1alfa1, e que apresentavam características de músculos bem treinados.
 

Estes ratinhos e os ratinhos inseridos no grupo de controlo foram expostos a um ambiente stressante. Após cinco semanas, apenas os ratinhos normais desenvolveram comportamento depressivo. Inicialmente, os investigadores acreditavam que os músculos treinados produziam uma substância que tinha efeitos benéficos no cérebro. “Contudo, o que encontramos foi precisamente o contrário: os músculos bem treinados produziam uma enzima que purgava o organismo de substâncias nocivas. Assim neste contexto, a função muscular é reminiscente à do rim ou fígado” explicou, em comunicado de imprensa, o principal autor do estudo, Jorge Ruas.
 

O estudo apurou que os ratinhos com elevados níveis de PGC-1alfa nos músculos também apresentavam níveis elevados de enzimas conhecidas por KAT. Estas enzimas convertem uma substância formada durante o stress, a quinurenina, no ácido quinurénico que não é capaz de transpor a barreira sangue-cérebro.
 

A função exata da quinurenina ainda não é conhecida, mas níveis elevados desta substância podem ser encontrados em pacientes com doença mental. Verificou-se que a administração de quinurenina a animais inseridos no grupo de controlo induzia um comportamento depressivo. Contudo, esta substância não afetou os ratinhos com elevados níveis de PGC-1alfa1. Na verdade, estes animais nunca apresentaram níveis elevados de quinurenina no sangue, uma vez que as enzimas KAT rapidamente a convertiam no ácido quinurénico, resultando assim num mecanismo protetor.  
 

“Este estudo pode abrir portas para novos tratamentos farmacológicos da depressão, que poderiam ter por alvo a função músculo-esquelética em vez de afetarem o cérebro diretamente. O músculo parece ter um efeito desintoxicante que, quando ativado, pode proteger o cérebro de ataques e doenças mentais”, conclui o investigador.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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