Exercício físico beneficia longevidade após tratamento do cancro da mama

Estudo publicado na revista “Journal of Clinical Oncology”

26 janeiro 2018
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A prática regular de exercício físico pode fazer aumentar a esperança de vida das sobreviventes ao cancro da mama, indicou um estudo.
 
O estudo que foi conduzido por uma equipa de investigadores liderada por Christina Dieli-Conwright, da Universidade da Califórnia do Sul, EUA, indicou que os benefícios do exercício físico se traduzem numa diminuição do risco de doenças cardiovasculares, da diabetes de tipo 2 e, possivelmente, de recidiva do cancro.
 
“Muitas pessoas não sabem que a causa nº 1 de morte nas sobreviventes de cancro da mama é a doença cardíaca, não o cancro”, disse a investigadora.
 
Apesar da elevadíssima percentagem de sobrevivência ao cancro da mama, as pacientes tendem a engordar durante os tratamentos para a doença, o que faz aumentar o risco de síndrome metabólica e as doenças associadas, como hipertensão e triglicerídeos elevados. Como se sabe, com estes problemas aumenta o risco cardiovascular.
 
Para o estudo, a equipa conduziu um ensaio clínico aleatório com 100 sobreviventes de cancro que tinham recebido tratamento para a doença menos de seis meses antes de ingressarem no estudo.
 
As participantes seguiram um programa de exercício físico de quatro meses, que consistia em três sessões individuais por semana, com treino de resistência com pesos e pelo menos 150 minutos de exercício aeróbico de intensidade moderada. 
 
No início do estudo, cerca de 46% das participantes eram obesas e 77% apresentavam síndrome metabólica. Após a intervenção, apenas 15% daquelas mulheres apresentavam síndrome metabólica, contra 80% das participantes do grupo de controlo. Mais, as participantes no programa de atividade física tinham desenvolvido músculo e perdido massa gorda.
 
O risco de doença cardíaca no grupo do exercício físico também diminuiu, a tensão arterial desceu 10% e o colesterol HDL, ou bom colesterol, aumentou em 50%. 
 
Christina Dieli-Conwright referiu ainda que a obesidade provoca inflamação, que por sua vez pode promover o crescimento tumoral e a recidiva do cancro. Num estudo anterior com biópsias de tecido adiposo de 20 pacientes obesos, o exercício físico melhorou a inflamação sistémica e reduziu a inflamação nas células adiposas.
 
“O exercício é uma forma de medicação”, concluiu a investigadora.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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