Exercício em jejum está na moda

Especialistas alertam para os riscos associados

15 junho 2015
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A prática de exercício físico em jejum começa a ser uma tendência para quem quer emagrecer. Contudo, os especialistas alertam para os riscos desta prática sem controlo adequado.
 

O treinador pessoal (‘personal trainer’) António Braz refere que, nos últimos dois anos, a prática de treinar em jejum começou a ser mais disseminada, acreditando que é apenas uma tendência para “procurar uma forma mais rápida de perder massa gorda”.
 

“As evidências científicas demonstram que os riscos existem. Pode ser um risco, uma vez que os processos metabólicos da gordura e a quantidade de açúcar disponível no sangue são extremamente difíceis de controlar”, disse à agência Lusa, António Braz.
 

O objetivo dos treinos cardiovasculares (corridas ou caminhadas) em jejum é aproveitar o período em que as reservas de açúcar estão baixas para estimular a queima de gordura mais cedo no treino.
 

“A questão é que o nosso cérebro consome preferencialmente açúcar e, na ausência deste, vamos obrigar o nosso corpo a produzir corpos cetónicos. Prolongando este quadro, podemos originar cetose, elevando a acidez do sangue”, defende o ‘personal trainer’ e professor de capoeira António Braz, lembrando que a acidose prolongada pode ter efeitos nefastos.
 

Henrique Jones, ex-médico da seleção portuguesa de futebol, considera que uma refeição ligeira uma hora antes do exercício “é fundamental para preencher as reservas energéticas que permitem alimentar os músculos”.
 

Mesmo que em termos cardiovasculares não seja um risco imediato treinar em jejum, Henrique Jones defende que esta metodologia de treino é incorreta e pode provocar fadiga precoce e até eventual agravamento das micro-lesões musculares.
 

“Existe uma tendência para esta metodologia associada à prática de exercício sobretudo quando o objetivo não é o bem-estar físico e psíquico, mas a perda de peso e massa gorda corporal a qualquer custo”, admite.
 

Contudo, o médico especialista em medicina desportiva José Gomes Pereira recorda que o exercício físico em jejum é uma prática utilizada em atletas há décadas. Trata-se de um exercício que consome mais gordura do que aquele que não é feito em jejum e que se utiliza em atletas de fundo, como maratonistas, para melhorar a sua performance.
 

“Se o exercício for estritamente aeróbio, de baixo impacto e com uma pessoa clinicamente saudável, não oferece qualquer risco realizá-lo. Porque uma pessoa metabolicamente saudável vai privilegiar, no exercício de baixo impacto, a utilização das gorduras em detrimento dos açúcares. Não provoca a hipoglicemia reativa ao esforço, que é o risco associado a quem faz exercício em jejum”, indica.
 

Contudo pode constituir um risco, caso a intensidade do esforço não seja rigorosamente monitorizada, podendo as pessoas ultrapassar o limiar da utilização dos açúcares durante o treino em jejum.
 

“Quem pode fazer exercício aeróbio em jejum? As pessoas que têm boa condição física, os atletas e quem está treinado. Os atletas de fundo usam preferencialmente as gorduras e poupam os açúcares, estão treinados para isso. Quem não está treinado, não o consegue fazer e tenta arranjar um truque e forçar o organismo a usar as gorduras, treinando em jejum. E indo em jejum correm riscos, porque não vão adaptados”, defende José Gomes Pereira.
 

Pedro Carvalho, da Faculdade de Ciências de Nutrição da Universidade do Porto, também defende que o treino em jejum “é uma estratégia que tem mais sentido ser usada por atletas do que por pessoas que não estão muito treinadas”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

 

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