Exercício cognitivo melhora comportamentos associados à esquizofrenia

Estudo publicado na “Neuron”

28 fevereiro 2012
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Investigadores americanos descobriram que um tipo específico de exercício cognitivo computorizado pode melhorar significativamente os comportamentos dos indivíduos com esquizofrenia, dá conta um estudo publicado na revista “Neuron”.

 

“A esquizofrenia é uma doença psiquiátrica debilitante que está associada com sintomas clínicos, tais como alucinações e delírios, bem como deficits sociais e cognitivos. Os pacientes com esquizofrenia lutam pelo controlo da realidade, pela capacidade de separar o mundo interior do exterior”, revelou, em comunicado de imprensa, a autora principal do estudo, Sophia Vinogradov.

 

Apesar de existirem medicamentos que reduzem os sintomas clínicos desta doença, os tratamentos atuais não melhoram os deficits cognitivos. Adicionalmente, a psicoterapia convencional não tem tido muito sucesso, havendo assim a necessidade urgente de desenvolver novas estratégias terapêuticas.

 

Neste estudo, os investigadores da University of California, em São Francisco, adotaram uma estratégia única para melhorar o comportamento e ativação cerebral dos indivíduos com esquizofrenia. Na opinião dos autores do estudo de modo a melhorar as funções cognitivas nas doenças neuropsiquiátricas é importante inicialmente ter por alvo as deficiências nos processos de baixo nível de perceção, assim como outros que envolvam a memória de trabalho e processos cognitivos sociais.

 

O estudo revelou que, em comparação com as avaliações realizadas antes do exercício cognitivo computorizado, os pacientes com esquizofrenia que se submeteram a 80 horas deste tipo de exercício, durante 16 semanas, apresentaram uma melhoria na sua capacidade de realizar tarefas de controlo da realidade, as quais foram associadas a um aumento da ativação dos córtex pré-frontal medial (mPFC), uma região do cérebro que está envolvida nos processos de controlo da realidade.

 

Os investigadores também verificaram que os níveis de ativação do mPFC também estavam associados com um melhor funcionamento social, seis meses após o início do exercício cognitivo. Pelo contrário, os pacientes do grupo de controlo que jogaram jogos de computador durante 80 horas não apresentaram nenhuma melhoria. 

 

"Estes resultados levantam a possibilidade de os danos neurológicas da esquizofrenia - e, sem dúvida, de outras doenças neuropsiquiátricas - não serem imutáveis, e podendo ser passíveis de intervenções bem desenhadas para restabelecer o funcionamento do sistema nervoso”, revelou, em comunicado de imprensa, Sophia Vinogradov.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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