Exercício altera a atividade de milhares de genes

Estudo publicado na revista “PLOS Genetics”

28 setembro 2016
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O exercício de resistência altera a atividade de milhares de genes e dá origem a uma multiplicidade de cópias de ADN alteradas, dá conta um estudo publicado na “PLOS Genetics”.
 

O treino regular de resistência é muito benéfico para a saúde e bem-estar e pode ser utilizado para impedir o desenvolvimento da doença cardiovascular, diabetes, obesidade e outras condições. Contudo, ainda não se sabe ao certo como este processo ocorre ao nível molecular.
 

Os investigadores do Instituto Karolinska, na Suécia, analisaram o ARN, cópias moleculares da sequência de ADN, no tecido muscular antes e após a prática de exercício de resistência. Foram encontradas aproximadamente 3.400 variantes de ARN, associadas a 2.600 genes, que ficam alteradas em resposta ao exercício. O estudo sugere que o exercício de resistência pode fazer com que o mesmo gene aumente a produção de uma variante de ARN e reduza a outra.
 

Na opinião dos cientistas, liderados por Carl Johan Sundberg, estes achados significam que os genes podem alterar a função de acordo com a prática de exercício e, por exemplo, podem promover a produção de determinadas variantes de proteínas em detrimento de outras.
 

Maléne Lindholm, uma das autoras do estudo, refere que ainda não tinha sido previamente demonstrado que o exercício alterava a expressão de genes desta forma específica. De acordo com a investigadora, este estudo fornece também informação nova e básica sobre como o organismo se adapta à prática de exercício de resistência e qual o papel que muitos dos genes desempenham nesta adaptação.
 

No estudo, que envolveu 23 indivíduos, os participantes trabalharam apenas uma perna. Foram retiradas amostras do músculo antes e após o exercício. Após um descanso de nove meses, os participantes exercitaram as duas pernas de uma forma semelhante à realizada no período inicial. Mais uma vez foram retiradas amostras dos músculos das duas pernas.
 

Os investigadores tiveram como objetivo encontrar algum efeito residual decorrente do exercício prévio, um tipo de memória muscular e perceber se este poderia influenciar a resposta à repetição do exercício.
 

O estudo apurou que a atividade genética que tinha sido previamente alterada, ao longo do primeiro período de treino, não estava presente quando a prática de exercício foi retomada. Contudo, a resposta ao exercício foi de alguma forma diferente na perna que tinha sido treinada, o que sugere que o exercício pode ter um impacto duradouro.
 

Maléne Lindholm conclui que, para além de o estudo ajudar a perceber como os músculos funcionam e como as pessoas se adaptam ao exercício de resistência, este pode também contribuir para a otimização futura do efeito do exercício em indivíduos diferentes.

 

Estes resultados podem também ajudar a impedir a doença cardiovascular e o desenvolvimento de fármacos novos e mais precisos para aqueles que por alguma razão não podem praticar exercício físico.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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