Exercício aeróbico impede alterações cerebrais associadas à idade

Estudo publicado na revista “PLOS Biology”

03 novembro 2015
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A deterioração estrutural do cérebro associada ao envelhecimento pode ser impedida pela prática de exercício aeróbico a partir da meia-idade, sugere um estudo publicado na revista “PLOS Biology”.

 

A idade avançada é o principal fator de risco da doença de Alzheimer, assim como de outras doenças. Os défices cognitivos associados à idade são em parte devido a alterações na função neuronal, mas também relacionados a deficiências no fornecimento de sangue ao cérebro e com níveis baixos de inflamação.

 

Neste estudo, os investigadores do Laboratório Jackson no Bar Harbor, EUA, decidiram avaliar as alterações no cérebro de ratinho jovens e velhos tendo comparado o perfil de expressão genética. Os investigadores apuraram que havia alterações associadas à idade em genes relevantes para a função vascular e inflamação no córtex cerebral. Estas alterações foram acompanhadas por um declínio da função dos astrócitos (células de suporte do cérebro), perda de pericitos (células contráteis que rodeiam pequenos capilares e veias e mantêm a barreira sangue-cérebro) e componentes principais da membrana basal, que forma uma parte integral da barreira sangue-cérebro, assim como um aumento na densidade e ativação funcional de um tipo de células imunológicas conhecidas como microglia que “limpam” o cérebro de agentes infeciosos e células danificadas.

 

A atividade física é conhecida por melhorar o declínio cognitivo e os déficits sensoriais e motores observados nos idosos, bem como nos ratinhos. De forma a investigar o impacto do exercício físico a longo prazo nas alterações cerebrais observados nos ratinhos idosos, os investigadores forneceram aos animais uma roda de corrida a partir de 12 meses de idade, o equivalente à meia-idade em humanos. O cérebro dos ratinhos foi avaliado aos 18 meses, o equivalente a 60 anos de idade nos seres humanos (altura em que o risco de doença de Alzheimer é maior).

 

Os investigadores constataram que os ratinhos jovens e mais idosos correram a mesma distância por noite, e esta atividade física melhorou a capacidade e motivação dos animais idosos adotarem comportamentos espontâneos que são afetados pelo envelhecimento. Verificou-se que o exercício reduz a perda dos pericitos no córtex cerebral e melhorou outros indicadores de disfunção do sistema vascular e barreira sangue-cérebro.

 

A prática de exercício também reduziu o número de microglia que expressam um componente envolvido no declínio cognitivo associada à idade. Curiosamente, estes efeitos benéficos do exercício não foram observados em ratinhos deficientes no gene Apoe, cujas variantes são um importante fator de risco da doença de Alzheimer. Na verdade, verificou-se que a expressão do Apoe estava diminuída nos ratinhos idosos, mas este declínio poderia ser também impedido com o exercício.

 

“Com o envelhecimento da população, espero que o nosso estudo incentive a adoção de um estilo de vida saudável que inclua a prática de exercício físico”, Gareth Howell.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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