Exclusão de doentes paliativos da rede de cuidados continuados “é um retrocesso”

Considerações da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos

12 setembro 2018
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A Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos (APCC) manifestou “perplexidade” e “preocupação” com a decisão de excluir da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI) doentes com necessidades paliativas, considerando que “é um retrocesso” na prestação de cuidados de saúde.
 
Em declarações à agência Lusa, o presidente da associação, Duarte Soares, lamentou o facto de a APCP não ter sido ouvida nesta decisão, que demonstra que “o legislador tem profundo desconhecimento” sobre as necessidades de cuidados paliativos da população portuguesa”.
 
Segundo o presidente da associação, esta decisão terá impacto sobretudo no elevado número de doentes com necessidades paliativas menos complexas que deixam de ter “a retaguarda clínica e social” que tinham até agora e que passam a ter apenas como opção o domicílio ou o lar.
 
“De um dia para o outro estamos a impedir que esses doentes tenham acesso ao serviço de internamento na rede, mas também às equipas de cuidados continuados integrados que prestam cuidados de saúde no domicílio”, lamentou, explicando que são pacientes que sofrem de doenças crónicas, progressivas e incuráveis.
 
Para a associação, este decreto “implicará necessariamente um aumento da pressão exercida sobre os serviços de cuidados paliativos, já de si escassos e frágeis do ponto de vista de dotação de recursos humanos, mas também sobre os serviços de internamento de agudos”, porque deixa de existir o contributo da RNCCI como solução de referenciação nos pós alta para esta população.
 
A associação apela para uma tomada de posição por parte das ordens profissionais envolvidas nos cuidados de fim de vida, nomeadamente Ordem dos Médicos, Enfermeiros e Psicólogos, assim como à Comissão Nacional de Cuidados Paliativos.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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