Excesso de peso deve ser encarado como uma doença

Declarações da coordenadora do programa Peso da Saúde

04 setembro 2015
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A motivação para alterar de estilo de vida é baixa para os indivíduos que têm excesso de peso, uma doença que exige ajuda médica e informação, mas ainda é pouco valorizada, mesmo entre profissionais, defendeu a coordenadora do programa Peso da Saúde.
 

"As pessoas têm de perceber que a obesidade e excesso de peso é uma doença", disse à agência Lusa, Ana Macedo, e exemplifica: "quando uma pessoa tem diabetes não tem dúvida de que tem de ir ao médico, vigiar a doença e tomar os medicamentos".
 

No entanto, quando a pessoa tem excesso de peso ou obesidade "acha que grande parte da culpa é sua", depois os médicos "valorizam isto pouco e, muitas vezes não sabem como abordar o assunto e as pessoas acham que isto se resolve sozinho", referiu.
 

O programa Peso e Saúde percorreu mais de 20 praias do país, apelando à participação de voluntários e cerca de mil tiveram a sua composição corporal avaliada, ao mesmo tempo que recebiam uma explicação sobre a caracterização do seu peso e respondiam a algumas questões.
 

No final, foram retiradas algumas conclusões e a médica apontou que "à pergunta se estavam dispostas a mudar o seu estilo de vida, a motivação é muito baixa", já que menos de metade das pessoas diz estar motivada.
 

Este assunto "não se resolve de outra maneira", por isso, a especialista transmitiu a sua preocupação e defendeu ser necessário começar por motivar os portugueses.
 

"Apesar de tudo, hoje temos fármacos eficazes para tratar doenças [como diabetes ou hipertensão] e não temos uma oferta muito específica e eficaz no que à obesidade diz respeito, temos muitas, mas todas elas carecem, antes de mais, de um compromisso da pessoa numa coisa que é muito difícil que é mudar hábitos", explicou Ana Macedo.
 

“É difícil, mas "existe uma solução e tem de passar por uma maior grau de informação, primeiro do risco, e as pessoas têm de ter consciência de que o excesso de peso é um risco, fez-se isso com o tabaco, tem de fazer-se em relação ao excesso de peso".
 

Por outro lado, é necessário começar a consciencializar as pessoas de que "precisam de ser ajudadas por um profissional de saúde" para escolher a estratégia para emagrecer, afastando a ideia da "dieta milagrosa", que "continua a existir", nomeadamente na publicidade, que em três meses se resolve o assunto.

 

Na opinião da médica, a solução não é tão rápida e "há um trabalho individual, feito no consultório, seja pelo médico ou pelo nutricionista, há um trabalho social", ou seja, como é que enquanto sociedade é incorporado este problema.

 

“Um número reduzido de pessoas falou com o médico sobre este assunto", só cerca de 23% daqueles com excesso de peso ou obesidade diz já ter ido ao médico, o que "é muito pouco", e continuam a fazer a gestão da doença sozinhas, disse Ana Macedo.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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